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4 de março de 2010

Voltando ao assunto


Volto ao tema «liberdade de informação», ultimamente tão debatido nos média dominantes - nesses média onde, insista-se, a liberdade de informação é um faz-de-conta e a liberdade de desinformar é o pão deles de cada dia.

E volto ao tema para insistir na denúncia do silenciamento a que esses mesmos média sujeitam praticamente toda a actividade do PCP - ao mesmo tempo que se desdobram em preocupações com a «liberdade de informação».

Dir-se-ia que, quando uma informação enviada pelo PCP chega às redacções desses média - de todos, sem excepção - ecoa, estridente, uma campainha que faz saltar da cadeira o lápis azul mais próximo da informação acabada de chegar e lhe dá o destino previamente determinado, por isso consabido.

É assim que, sobre tudo o que diz respeito ao PCP - as suas iniciativas (incluindo aquelas em que está presente o secretário-geral do Partido); as suas tomadas de posição sobre aspectos importantes da situação nacional e internacional; as suas propostas respeitantes aos problemas mais gravosos que a política de direita faz recair sobre a imensa maioria dos portugueses - os média dominantes dizem... nada.

Um exemplo: há dias, o Grupo Parlamentar do PCP convocou uma conferência de imprensa para anunciar as propostas do Partido respeitantes ao Orçamento do Estado - propostas que, não tendo a ilusão de remediar o irremediável que é o conteúdo essencial do Orçamento do Estado da política de direita, pretendem tão-somente contribuir para atenuar as terríveis consequências desse OE nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo.Vários média - quase todos - estiveram representados na conferência de imprensa. Todavia nenhum deles publicou uma linha sequer sobre o que lá se passou.

Porque aos directores e chefes de redacção não agradou o conteúdo das propostas do PCP? Porque acharam que não era conveniente dar a conhecer essas propostas? Porque noticiando-as retiram «argumentos» aos que se fartam de acusar o PCP de só ser do contra e não fazer propostas? Porque sim?
Por tudo isso, certamente. E também porque falar da «liberdade de informação» é o que está a dar...

Fonte: José Casanova; jornal Avante!; 04/03/2010

28 de janeiro de 2010

Orçamento de direita


A proposta de Orçamento do Estado agora apresentada pelo Governo PS na Assembleia da República veio confirmar que PS, PSD e CDS, uma vez em causa a continuidade da política de direita, não hesitam em dialogar, concertar e convergir. São os superiores interesses de classe a falar mais alto e a ditar que, em 2010, é necessário impor mais sacrifícios aos trabalhadores e ao povo português para que os lucros e privilégios do costume continuem a cair no regaço dos poderosos.

Uma proposta que assume não apenas uma política de continuidade mas o aprofundamento daquilo que de mais negativo tem sido feito por este e outros governos. Destacam-se três grandes opções, sendo que todas e cada uma delas vão em sentido contrário às reais necessidades do País.

Em primeiro lugar, retomando a obsessão/justificação do défice das contas públicas, o Governo PS propõe um corte no investimento público, com as respectivas consequências negativas no emprego, no sector produtivo e na satisfação das necessidades das populações. Em segundo, avança com novo plano de privatizações, colocando empresas públicas e estratégicas para o País à mercê dos grupos económicos, dando continuidade à política criminosa que já colocou por tuta e meia empresas que dão milhões como a PT, a GALP, a EDP ou a CIMPOR nas mãos do grande capital nacional e estrangeiro. Por fim, lança mais um violento ataque aos direitos dos trabalhadores, impondo o congelamento do valor dos salários – redução real do seu valor tendo em conta a inflação – ao mesmo tempo que mantém a política de redução de trabalhadores na administração pública, prevendo uma nova liquidação de 50 mil postos de trabalho a somar aos mais de 70 mil verificados entre 2005 e 2009.

Ataque aos salários e ao emprego, privatizações, redução do investimento público – medidas que fazem parte do código genético de PS, PSD e CDS, que as negociaram e incluíram neste Orçamento do Estado. Medidas que têm merecido da parte do PCP o mais firme e consequente combate e que não podem ser acompanhadas por quem luta contra as injustiças e exige uma vida melhor.


Um orçamento que, por corresponder à mesma velha e injusta política que conduziu o País a tão grave situação, outro resultado não poderá produzir que não o de agravar ainda mais os problemas do País. Não faltarão no entanto por aí, como aliás não têm faltado, as vozes pagas a peso de ouro que se encarregarão de passar ao lado de tão flagrante evidência.

Fonte: Vasco Cardoso; Jornal "Avante!" 28/01/2010