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17 de junho de 2010

Venezuela


Propriedade estatal aumentou produção, emprego e dividendos

A nacionalização de 200 empresas ligadas ao sector petrolífero permitiu à Venezuela incrementar a produção de hidrocarbonetos, criar postos de trabalho e aumentar os dividendos arrecadados pelo Estado.

Durante mais uma edição do programa semanal «Alô Presidente», realizado num complexo fabril ligado ao sector da extracção de petróleo e gás natural, no Estado de Anzoátegui, Hugo Chávez sublinhou que, há três anos, quando as unidades a operarem na Faixa Petrolífera ainda estavam nas mãos de companhias privadas nacionais e estrangeiras, os venezuelanos não podiam manejar os seus recursos naturais de forma soberana. Em resultado disso, as orientações implementadas no sector dos hidrocarbonetos não estavam afectas a uma política patriótica no interesse do povo e do desenvolvimento do país, mas a uma política ao serviço da maximização do lucro do capital.

Desde então, e fruto da nacionalização de duas centenas de empresas, não só cresceram a produção e o total de dividendos arrecadados directa e indirectamente (por via fiscal) pelo Estado venezuelano, como foram investidos avultados montantes na modernização técnica das infra-estruturas, como, ainda, foram criados cerca de 6 mil novos postos de trabalho e assegurados aos trabalhadores salários justos, direitos e regalias, lembrou Chávez.

O máximo responsável pelo executivo bolivariano aproveitou ainda a ocasião para demonstrar confiança na capacidade dos trabalhadores em participarem activamente na gestão das empresas recuperadas. «Aqui estamos a provar que o povo venezuelano tem capacidade de gerir os seus próprios recursos, mesmo que a burguesia apátrida diga que é a única capaz de orientar a economia, o dólar, os bancos, as fábricas de alimentos, a agricultura, a indústria petrolífera, etc.», insistiu.

Recorde-se que do total de empresas do sector petrolífero transformadas em propriedade nacional, 33 são de petróleo e gás natural, 82 são de serviços e operações de apoio, 6 são de fabricação de estruturas e material industrial, e outras 79 estão relacionadas com serviços públicos prestados.


Dispostos a intervir

Paralelamente às declarações do presidente da Venezuela, um estudo divulgado pelo Grupo de Investigação Social (GIS XXI) afirma que 78,5 por cento dos venezuelanos concorda com a participação dos trabalhadores na gestão das empresas, uma vez que está provado que tal melhora a sua eficiência.
A pesquisa do GIS XXI, conduzida durante o mês de Maio, revela, no entanto, uma diferença de opinião quando considerados os estratos mais abastados da sociedade – 64 por cento estão de acordo com a medida – e as camadas populares, onde mais de 80 por cento defende a implementação de mecanismos de participação dos trabalhadores.

Ao documento elaborado pela GIS XXI, acresce um outro semelhante elaborado pela Iberobarometro no mesmo período, no qual 62 por cento dos inquiridos afirma que o país está a ser governada de acordo com a vontade do povo.


Governo financia bancos de comunas socialistas


Realizou-se, a semana passada, a cerimónia de entrega de mais de 98 milhões de bolívares fortes a 52 instituições bancárias comunais. O objectivo das entidades recentemente criadas, dizem, é financiar projectos e investimentos levados a cabo pelas camadas mais baixas da população.

«Este dinheiro é do povo, é parte da receita nacional, petrolífera e não petrolífera, que antes era arrecadada pela burguesia», disse Hugo Chávez durante a sessão oficial. O presidente aproveitou ainda para lembrar que o Estado já transferiu, desde 2006, para os Conselhos Comunais e para as Comunas Socialistas, mais de 11 mil 500 milhões de bolívares fortes destinados a suportar quase de 33 mil 500 projectos locais.

Os Conselhos Comunais e as Comunas Socialistas ultrapassam já os 200 em todo o território nacional. Nestes organismos de poder popular, desenvolvem-se programas de produção de materiais de construção ou alimentos através das Empresas de Propriedade Social. O sistema, carece, ainda de novos avanços para continuar a progredir no sentido de dar resposta à necessidades populares. Apesar de estarmos a construir uma rede de distribuição, necessitamos de uma rede de transporte de materiais que não seja um obstáculo ao desenvolvimento dos projectos em curso, expressou Chávez.


Executivo bolivariano prossegue orientação
Garantir a soberania alimentar


O governo bolivariano da Venezuela prossegue, através das entidades competentes para o efeito, a trabalhar no sentido de garantir não só a soberania alimentar do país mas também que os produtos chegam aos consumidores em condições e preços adequados às orientações políticas definidas.

Só nas últimas semanas, mais de mil inspecções foram efectuadas em toda a cadeia alimentar pela Guarda Nacional Bolivariana, o Instituto para a Defesa do Acesso aos Bens e Serviços, Instituto Nacional de Silos, Armazéns e Depósitos Agrícolas, e os ministérios da Alimentação, Agricultura e Terras e das Indústrias Intermédias.

O objectivo foi assegurar a existência de matérias-primas e produtos acabados em qualidade e quantidade suficiente, sobretudo os que compõem o cabaz básico de consumo vendido a preço popular nas cadeias de distribuição estatais.

Um dos problemas com os quais se confronta o executivo bolivariano é o do boicote alimentar por parte da agro-indústria e das cadeias privadas de armazenamento e distribuição.

No final deste mês, o governo voltou a ser obrigado a intervir em outras 18 empresas relacionadas com a distribuição de alimentos, a maioria das quais situadas na capital, Caracas. As infracções mais detectadas são a especulação no preço de bens incluídos no cabaz básico, o desvio de toneladas de géneros para o mercado negro, a deterioração dos produtos, o açambarcamento, contrafacção de medicamentos ou a transacção de bens sem qualquer registo.


Atacar a negligência e a corrupção

Mas a vigilância das autoridades não se limita apenas às companhias privadas ou aos estabelecimentos e armazéns particulares. Também em milhares de depósitos da pública Pdval foram detectadas 70 mil toneladas de alimentos importados e nunca distribuídos. A Venezuela importa cerca de 80 por cento dos alimentos que consome.

As autoridades judiciais já mandaram prender o ex-presidente da companhia, Luís Enrique Pulido, e os representantes sindicais de empresas estatais exigem que sejam apuradas todas as responsabilidades, doa a quem doer.

Os trabalhadores também não se conformam e pretendem que para além do apuramento da verdade sobre as suspeitas de corrupção e negligência, sejam tomadas medidas que resolvam a incapacidade operativa dos portos e armazéns públicos de onde saem para 14 estados os géneros alimentares importados.

Fonte: jornal Avante; nº 1907; 17-06-2010

8 de junho de 2010

Polónia



PCP entrega carta na embaixada e participa em comício de solidariedade contra medidas anti-democráticas

O Secretariado do Comité Central do PCP, perante a anunciada implementação na Polónia, no dia 8 de Junho, da lei que proíbe a utilização de “símbolos comunistas”, entregou hoje na Embaixada da República da Polónia em Lisboa uma carta onde manifesta inquietação face às «notícias que dão conta do reforço da campanha de cariz anti-comunista na Polónia, por via da anunciada implementação de medidas que limitam gravemente os direitos elementares de liberdade de expressão e opinião, nomeadamente, a lei que visa a proibição e a penalização do uso dos símbolos comunistas – equiparando-os, inclusive, à simbologia e propaganda nazi –, cuja entrada em vigor está prevista para o dia 8 de Junho».

O Secretariado do CC do PCP considera na carta que tais medidas «constituindo uma violação flagrante das garantias e princípios democráticos básicos dos cidadãos, configuram igualmente uma inaceitável forma de intimidação e pressão, representando uma gravosa manifestação do mais primário anti-comunismo» e, manifestando «a sua solidariedade para com o Partido Comunista da Polónia, os comunistas polacos e os seus simpatizantes, os trabalhadores polacos e todos aqueles que se sentem atingidos pela natureza discriminatória e discricionária das presentes medidas», exige das «Entidades responsáveis da República da Polónia a sua abolição e o respeito pela liberdade e a democracia» e associa-se a «todos quantos lutam pela democracia, o progresso social e o socialismo, unindo-se às inúmeras vozes que na Europa e no Mundo têm expressado a sua indignação e denunciado a escalada anti-comunista e anti-democrática patente na Polónia».

Assim, no âmbito das suas relações internacionais e no plano da luta de variados Partidos Comunistas contra este ataque às liberdades e à democracia na Polónia, o PCP participará amanhã, em Varsóvia, a convite do Partido Comunista da Polónia, num comício internacional de protesto contra as medidas anti-democráticas adoptadas, fazendo-se representar por João Ferreira, deputado ao Parlamento Europeu.

07.06.10

1 de junho de 2010

Povo apoia o Governo na RPDC

No dia 29 de Maio 100 mil cidadãos da Republica Democrática da Coreia do Norte em Pyongiang apoiaram o seu governo contra as ameaças e provocações Imperialistas alimentadas pela camarilha fascista no poder na Corea do Sul.

A RPDC do Norte não comete crimes horrendos como os que comete a entidade Sionista de Israel ou o regime paramilitar Colombiano.

19 de maio de 2010

CUIDADO! A seguir pode ser cá.


A burguesia Grega ativa mecanismos judiciais e repressivos contra as lutas da central sindical PAME


Continuam os ataques da mídia e dos partidos políticos burgueses contra o KKE. Assim acontece devido ao papel de vanguarda do Partido nas lutas populares e pela recusa dos comunistas em se submeterem à legalidade burguesa.

Poucos dias antes da greve geral de 24 horas, houve uma tentativa de criminalizar as atividades da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME).

O partido “Drasi” (“Ação” - um partido minoritário, conservador, construído por empresários) de Stefanos Manos, ex-deputado do partido social-democrata PASOK (partido governista) e ex-ministro do partido conservador ND (Nova Democracia) ingressaram com requerimento perante a Corte de Cassação, visando a instauração de processo criminal contra a PAME. Assim, aquele partido se juntou ao ataque exaltado da classe dominante e aos ataques diários da mídia burguesa, serva dos empregadores, contra a classe trabalhadora.

Além disso, aquele partido, que recebeu apenas 0,7% de votos nas eleições para o Parlamento Europeu de 2009, exige “que se investigue se as lideranças da PAME ou aliados têm responsabilidade nas ações que considera ilegais e que seriam reveladas pelo processo”. Por óbvio que o partido “Drasi” é muito sensível no que concerne atual preocupação dos empresários, mas não pede investigação do Ministério Público quando trabalhadores são mortos, ou quando são mutilados, no ambiente do trabalho, devido aos chamados “acidentes do trabalho”, ou quando os trabalhadores são demitidos sem o pagamento de verbas correspondentes a seus direitos.

O governo social-democrata usou essa alegação infame para lançar outro ataque contra o movimento sindical classista.

Paralelamente, o núcleo dirigente do sindicato dos trabalhadores do Cassino de Monte Parnitha está sendo processado. Os empregadores do cassino estão exigindo o cancelamento da condição de sócio-membro de Georgia Flouda, presidente do sindicato dos trabalhadores do cassino, e de Aristomenis Tsouparas, presidente da união pan-helênica dos técnicos de jogos de tabuleiros, visando afastá-los de suas atividades sindicais e políticas. Ainda persiste a perseguição aos professores que participaram da greve e que lutaram nas fileiras classistas da PAME.

É digno de nota que os ativistas sindicais, que estavam na linha de frente das lutas e das greves, sofrem processo criminal que dura já longos meses, em virtude,por exemplo, das ações desenroladas na lojas “Jumbo”.

A mídia burguesa, há muito tempo, exigia a criminalização dos marítimos que sustentaram, com sucesso, uma greve nos dias 21 e 22 de abril, apesar dos esforços em vão do governo e dos proprietários navais para se valerem dos “fura-greves”. Os trabalhadores marítimos conseguiram parar todos os navios, incluído o cruzeiro “Zenith” que era utilizado no circuito de divulgação da propaganda para a revogação da Lei de Cabotagem (nota: que regula os transportes marítimos e tem impacto aos direitos dos trabalhadores marítimos ). Torna-se evidente que os trabalhadores não só enfrentam o governo e o principal partido de oposição, como também os interesses dos monopólios e da burguesia grega. A resistência e o enfrentamento devem ser planejados de forma substancial e integral.

Diante de tudo isso, a Secretaria Executiva da PAME respondeu: “o medo da burguesia é justificado. Mas, deixemos aqueles que, aberta ou dissimuladamente, tentam criminalizar e restringir a ação da PAME porque é pública e notória a impossibilidade de intimidar, chantagear ou submeter a PAME”.

Os trabalhadores responderão aos planos burgueses pela participação na greve marcada para o dia 20 pela PAME.




Fonte: http://pt.kke.gr/news/2010news/2010-05-19dioxeispame; 18/5/2010
Tradução: Humberto Carvalho, militante do Partido Comunista Brasileiro - PCB e membro de seu Comitê Central.

PCP na grande manifestação dos comunistas gregos


“Queridos Camaradas e amigos:

Recebam um forte e caloroso abraço de Portugal, dos trabalhadores e do povo português em luta. Um abraço amigo e solidário dos comunistas portugueses e do seu Partido – o Partido Comunista Português.

Um abraço materializado aqui e hoje perante vós, mas todos os dias forjado nas relações de amizade e solidariedade entre os nossos dois Partidos. Todos os dias forjado na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e dos povos em cada um dos nossos países. Todos os dias forjado na partilha do objectivo de trilhar, por via da luta, os caminhos da real alternativa de fundo ao capitalismo e à sua crise que se aprofunda – o Socialismo.

Um abraço dirigido a todos os que nos locais de trabalho, nas escolas, nas ruas, praças e avenidas do vosso País estão a protagonizar esta histórica, longa e persistente luta contra a ofensiva do imperialismo, do grande capital, da União Europeia, do FMI, do Governo do PASOK e das forças políticas que apoiam a sua política anti-social e anti-patriótica. Uma luta que sabemos ser dura, mas profundamente apaixonante e cheia de esperança e de futuro.

A todos vós queremos deixar uma mensagem de estímulo e de confiança. Queremos dizer-vos que não estão sós na vossa luta. Em Portugal – confrontados com os mesmos ataques, as mesmas chantagens, as mesmas mentiras – existe também um povo e um Partido Comunista que, lado a lado com as massas trabalhadoras e populares, com o movimento sindical de classe, defendendo as conquistas da Revolução libertadora de Abril, não se verga e não desiste de lutar. Em Portugal existe um Partido e um povo trabalhador que, apesar da distância geográfica que nos separa, está do vosso lado na luta de classes.

Ao vosso lado afirmando que sim, que estamos dispostos a fazer sacrifícios, como os temos feito ao longo de toda a nossa História, pagando com a própria vida se necessário. Mas sacrifícios pelo amor à liberdade, à justiça, à paz, ao progresso social e ao socialismo, sacrifícios pelos trabalhadores e pelo povo, e não contra eles!

Aqui estamos ao vosso lado afirmando que existe uma saída. E que é por essa saída, construída pelo povo, para o povo e com o povo que os comunistas estão dispostos a fazer sacrifícios e a lutar. E sempre com uma imensa alegria, por mais difícil, longa e exigente que seja a luta de emancipação dos trabalhadores e dos povos!

Viva a luta dos trabalhadores e do povo da Grécia!

Viva o internacionalismo proletário!

Viva a amizade entre os comunistas gregos e portugueses!

A Luta continua!”

in;www.pcp.pt - Mensagem de Ângelo Alves, membro da Comissão Política do CC do PCP, Atenas, Grécia, Comício/manifestação organizado pelo Partido Comunista da Grécia

13 de maio de 2010

Russos lembram Stálin

Russos lembram Stálin no aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo
Cerca de 100 mil militantes e simpatizantes do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) celebraram, domingo, os 65 anos da vitória do Exército Vermelho sobre o nazi-fascismo.

A manifestação, que durante horas percorreu as ruas de Moscovo até se concentrar na Praça Lubianka, foi encabeçada por dirigentes do PCFR, incluindo o secretário-geral Guennadi Ziuganov, que em declarações à imprensa sublinhou o papel de Stálin na derrota do nazismo.

«Não há vitória sem Stálin. Stálin ocupou os quatro cargos mais importantes nos anos da guerra, cinco anos seguidos. Foi dirigente do país, chefe do governo, dirigente do Ministério da Defesa e Comandante Supremo das Forças Armadas. Sem Stálin não começava nenhuma operação militar», afirmou Ziuganov.

A figura de Stálin foi de resto uma presença marcante no desfile, quer nos cartazes transportados pelos manifestantes quer na decoração do carro de som que acompanhou a iniciativa difundindo canções da época da II Guerra Mundial.

O 65.º aniversário da vitória do Exército Vermelho foi igualmente assinalado a nível oficial, com uma imponente parada militar na Praça Vermelha em que participaram onze mil soldados e 75 modelos de armamentos, incluindo tanques, mísseis e aviões, e a que assistiram 40 chefes de Estado e de governo.

As honras da casa estiveram a cargo do presidente russo, Dmitri Medvedev, que no seu discurso lembrou que as lições da Segunda Guerra Mundial apelam à união, sublinhando que a «paz continua a ser frágil e é nosso dever recordarmo-nos sempre de que as guerras não se declaram numa hora» e que o «mal ganha força se recuamos perante ele».

«Devemos unir-nos para fazer face às ameaças contemporâneas. Só é possível resolver os problemas da segurança global na base de relações de boa vizinhança para fazer triunfar no mundo inteiro os ideais da justiça e da paz, bem como para assegurar a liberdade e prosperidade às gerações futuras», disse Medvedev.


Promessas aos veteranos

Na véspera das comemorações oficiais, os dirigentes dos países da Comunidade de Estados Independentes (CEI), reunidos em cimeira na capital russa, divulgaram um comunicado felicitando os veteranos e trabalhadores da retaguarda na Grande Guerra Pátria (1941-1945) e prometeram defender os seus direitos sociais e económicos.

«Esta guerra ficará para sempre na história da humanidade como a mais terrível e sangrenta», refere o documento citado pela Lusa, garantindo que os chefes de Estado «conservarão seriamente a memória dos mortos, continuarão a defesa total dos direitos económicos e sociais, dos interesses legítimos dos veteranos da Grande Guerra Pátria e dos trabalhadores da retaguarda».

A cimeira da CEI, que reúne 10 das quinze repúblicas da antiga União Soviética, debateu as prioridades para o corrente ano, as quais visam, segundo Dmitri Medvedev, «a cooperação científica e a actividade conjunta na esfera das altas tecnologias», tendo como objectivo a modernização das respectivas economias.


Fonte: jornal "Avante!", nº 1902; 13 de Maio de 2010

12 de maio de 2010

O povo da Grécia Luta pela Humanidade


Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues chama a atenção para o agravamento da crise mundial do capitalismo. A dívida externa dos EUA, a maior do mundo, ultrapassa já o PIB do país e continua a aumentar. Obama, negando compromissos assumidos, nomeou para postos chave da Administração alguns dos principais responsáveis pela crise financeira. Numa segunda parte, reflecte sobre os acontecimentos da Grécia, sublinhando que nestas semanas o povo da Helada luta pela humanidade inteira num combate em que o Partido Comunista da Grécia se assume como vanguarda revolucionária da classe operária, na melhor tradição leninista.



As gigantescas manifestações de protesto do povo grego contra a política do Governo do Partido Socialista e as medidas impostas ao país pela União Europeia e o FMI iluminam nestes dias a amplitude e complexidade de uma crise sem precedentes.
A grande maioria da Humanidade não tomou ainda consciência de que o seu futuro é inseparável da luta de classes em desenvolvimento na terra que foi berço da civilização europeia e do conceito de democracia política.
Um sistema mediático controlado pelo imperialismo insiste em apresentar os acontecimentos da Grécia como episódio de uma crise financeira mundial prestes a ser superada.
Trata-se de uma inverdade. A Humanidade enfrenta uma crise global e estrutural do capitalismo que se agrava a cada semana nas frentes económica, financeira, cultural, energética, ambiental, militar, social e politica.

O MITO OBAMA

A crise iniciou-se nos EUA, o principal baluarte do imperialismo. A potência que os media portugueses insistem em apresentar como «a maior economia do mundo» entrou num processo de decadência irreversível. Os EUA são hoje o país mais endividado do mundo. A sua divida externa no final de 2008 atingia 13,77 milhões de milhões de dólares, o equivalente ao PIB do país; actualmente já o excede. É actualmente superior a todas as dívidas externas somadas da Europa, Ásia, África e América Latina. Uma divida impagável, anunciadora de um estouro que abalará o mundo. Por si só, a China é possuidora de mais de 900 mil milhões de dólares em reservas de dólares e títulos do Tesouro norte-americano.
Por que se mantém então a hegemonia dos EUA?
Dois factores a garantem. O primeiro é o seu imenso poderio militar. O outro a permanência do dólar como moeda de referência no comércio internacional, nomeadamente a divisa utilizada nas transacções do petróleo. E não há controlo para a emissão do bilhete verde.
Mas como os EUA se transformaram numa sociedade parasitária que consome muito mais do que produz, o país avança para um desastre, sem data no calendário, de proporções colossais.
O gigante tem pés de barro. O seu deficit comercial ultrapassou um milhão de milhões de dólares no ano passado. Este ano será superior.
Como a acumulação capitalista não funciona mais de acordo com a lógica do sistema, Washington, na fidelidade a uma estratégia de dominação universal, saqueia os recursos naturais de dezenas de países e desencadeia guerras de agressão ditas «preventivas» com a cumplicidade dos seus aliados da União Europeia.
Neste contexto o presidente Barack Obama, apresentado pela propaganda como político progressista e humanista, desenvolve uma politica que é indispensável e urgente desmistificar porque configura uma ameaça à Humanidade.
A falsificação da História não pode apagar a realidade. O homem distinguido com o Nobel da Paz ampliou a politica belicista de Bush. Manteve a ocupação do Iraque, intensificou a guerra de agressão no Afeganistão, iniciou os bombardeamentos no Noroeste do Paquistão, mantém a aliança com o sionismo neofascista israelense.
Crimes monstruosos, sobretudo no Afeganistão, comparáveis aos das SS nazis na II Guerra Mundial, são cometidos rotineiramente pelas Forças Armadas dos EUA. A barbárie militar tem aliás por complemento uma vaga de barbárie cultural. Essa é porém assunto a que os grandes media dedicam atenção mínima. Seria incómodo lembrar a destruição e saque de patrimónios da Humanidade na antiga Mesopotâmia. Informar por exemplo que nas ruínas de Babilónia estacionam tanques da US ARMY, que a maior base americana no Afeganistão, Begram, está instalada no espaço arqueológico de Kapisa, a antiga capital da desaparecida civilização Kuchana.
O Nobel da Paz dos EUA é o primeiro responsável pelo golpe de Estado nas Honduras (ver odiario.info de 26 de Julho e 1 de Dezembro de 2009), retoma a política de hostilidade à Revolução Cubana, volta a enviar a IV Esquadra para águas da América Latina, ameaça a Venezuela Bolivariana, o Equador e a Bolívia, cria 7 novas bases militares norte-americanas na Colômbia, instala em África o AFRICOM, um exército permanente dos EUA naquele Continente, bombardeia a Somália e o Iémen.
O presidente dos EUA é elogiado como defensor de um mundo sem armas nucleares. Mas na recente Conferência sobre Desnuclearização ameaçou usá-las contra o Irão, se o seu governo não se submeter às exigências de Washington.

A CUMPLICIDADE COM A FINANÇA

Diariamente lemos nos jornais portugueses e ouvimos em programas televisivos em que pontificam politólogos do sistema que a recessão terminou na maioria dos países da União Europeia, que a retoma é uma realidade e que nos EUA a economia cresceu no último trimestre mais do que o previsto. A Grécia, Portugal, a Espanha, a Irlanda e a Itália seriam excepções. A «turbulência» dos mercados mantinha-se, com bruscas oscilações nas bolsas, mas isso resultaria da acção de especuladores.
Os governantes e a comunicação social esforçam-se por persuadir os povos de que tudo voltará em breve à normalidade graças a sábias políticas financeiras -insinua-se - que salvaram a banca e a medidas de austeridade impostas pela necessidade de reduzir os deficits orçamentais. Em Portugal o PEC seria a solução salvadora. Com custos, é um facto, mas a hora exigiria sacrifícios de «todos» a bem da pátria.
O discurso da mentira e da hipocrisia pode mudar na forma, mas o seu conteúdo é fundamentalmente o mesmo de Washington a Paris, de Tóquio a Londres.
O objectivo é enganar os povos para impedir que a intensificação das lutas sociais abale as bases do sistema.
Uma vez mais são os EUA quem comanda a campanha de desinformação.
Na realidade, muito pouca coisa mudou ali no mundo corrupto da finança. Centenas de milhões de dólares foram injectadas no «mercado» pela Administração Obama, mas não para acudir às grandes vítimas da crise, as camadas mais pobres do povo norte-americano. As medidas tomadas pelo Governo Federal visaram salvar da falência os responsáveis pelas acções criminosas que desencadearam a crise, sobretudo a grande banca, as seguradoras, os gigantes da indústria automóvel.
Os patrões da finança são os mesmos e continuam a atribuir-se salários e prémios milionários (em Portugal acontece o mesmo) e retomam os métodos fraudulentos que estão na origem do tsunami financeiro.
Prémios Nobel da Economia como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e académicos de prestígio mundial como Noam Chomsky arrancam a máscara ao governo federal, desmontando a mentira da recuperação. Acusam frontalmente Obama de, ao invés de punir os cardeais da finança ter colocado muitos deles em postos chave da Administração. É o caso do secretário do Tesouro, Timothy Hitler, um ex-magnata de Wall Street, hoje responsável pela política monetária do país. Mais expressivo ainda é o caso de Larry Summers. Esse homem foi, durante o governo de Clinton o autor intelectual da revogação da lei que impedia a chamada «desregulamentação», isto é as politica criminosas que provocaram falências em cadeia. Que fez Obama? Nomeou-o seu assessor económico.
Em 1929, no auge da crise iniciada com o crash de Wall Street, John Kenneth Galbraith, o eminente economista liberal afirmou que «o sentido de responsabilidade da comunidade financeira perante a sociedade (…) é praticamente nulo».
Nada mudou desde então.
Obama comprometeu-se a reformar profundamente o sistema financeiro. Mas, em vez de cumprir a promessa, manteve os privilégios dos cardeais da finança.
O desemprego, entretanto, cresce. A pobreza alastra em cidades como Detroit (antes pulmão da indústria automobilística) e Pittsburg (antiga capital do aço) onde bairros inteiros, desabitados, oferecem uma imagem de decadência que nega os slogans do american way of life.
A chanceler Merkel e o presidente Sarkozy bradam que «é preciso refundar o capitalismo». Mas, conscientes de que o capitalismo não é humanizável, tudo fazem para o recauchutar.

O EXEMPLO DA GRÉCIA

Foi ilusório acreditar que a Europa escaparia aos efeitos da crise nos EUA.
Sucedem-se as crises na Islândia, na Espanha, na Irlanda, em Portugal, na Grécia.
O euro desvaloriza-se em ritmo alarmante. A taxa de desemprego atinge já os 20% em Espanha. Na Alemanha e na Grã-Bretanha a gravidade da crise será transparente após as eleições. Em França, Sarkozy tenta em vão ocultar o profundo descontentamento do povo que se expressa na amplitude assumida pela contestação social.
Na Grécia a economia desmoronou-se. O alarme foi tamanho em Bruxelas que os grandes da União Europeia, temendo o contágio, aprovaram com o FMI, após tumultuosos debates, marcados por contradições e hesitações, um plano dito de «ajuda» que na realidade impõe ao país medidas que, a serem aplicadas, o reduziria à condição de colónia administrada pela finança internacional.
Subestimaram o espírito de luta do povo grego, a sua firmeza no combate em defesa de direitos históricos adquiridos há muitas décadas.
Sete greves gerais nos últimos cinco meses expressaram a recusa dos trabalhadores gregos a submeter-se ao chamado «programa de austeridade», eufemismo que encobre as exigências impostas pelo grande capital, violadoras da soberania nacional.
A greve do dia 5 de Maio, gigantesca, paralisou o país. Centenas de milhares de trabalhadores protestaram em Atenas e 68 outras cidades contra a agressão exterior mascarada de «ajuda».
Como era de esperar, os media internacionais desinformaram na Europa e nos EUA. Reduziram a dimensão do protesto e deturparam o significado da grande jornada de luta.
Mas o objectivo de caluniar o povo grego não foi atingido. Era impossível ocultar que o país parou. Transportes, escolas, hospitais, fábricas, portos, aeroportos, comércio; o sector privado juntou-se ao público.
Elementos da extrema direita provocaram distúrbios na manifestação em frente do Parlamento. Entre eles havia polícias à paisana. Mas a tentativa de responsabilizar o PAME - a Frente Sindical que mobilizou os trabalhadores -fracassou porque o protesto foi pacífico, excluindo todas as formas de violência.
Os governantes e banqueiros da UE insistem em falar do «caos grego», criticam os grevistas que se opõem a medidas de austeridade concebidas para «salvar o país». Mentem conscientemente. A Grécia projecta nestas semanas a imagem de uma luta de classes exemplar na qual o seu povo, no confronto com o capital, assume o papel de sujeito histórico. O mundo do trabalho não está disposto a pagar a factura da política capituladora que lhe é imposta, prevista aliás no Tratado de Maastricht: eliminação dos 13º e 14º salários, redução de pensões de reforma, corte brutal nos salários, congelamento dos mesmos, etc.
No dia 4 de Maio, reagindo à estratégia de Bruxelas, o Partido Comunista da Grécia (KKE), ocupou simbolicamente a Acrópole, em Atenas, e desfraldou naquela colina milenar bandeiras com uma inscrição desafiadora: «Povos da Europa levantai-vos!»
O KKE está consciente de que a Europa não se encontra no limiar de uma situação pré-revolucionária. Na própria Grécia não estão reunidas condições para um assalto ao poder.
Nem por isso o brado revolucionário do KKE é menos comovente e oportuno. Também em 1848 Marx sabia, quando redigiu com Engels o Manifesto do Partido Comunista, que a Revolução socialista na Europa não iria concretizar-se no futuro próximo. Mas o grito «Proletários de todos os países uni-vos!» ecoou no Continente como incentivo à luta de classes, desencadeando um vendaval de esperança nas massas oprimidas.
As grandes revoluções não se forjam em dias, sequer em meses ou anos. Não existe para elas data previsível porque resultam de uma soma de pequenas e grandes lutas inseridas em contextos históricos favoráveis.
Os comunistas gregos não ignoram que a derrota do capitalismo vai tardar. Mas adquiriram há muito a convicção inabalável de que deve ser frontal e sem concessões no combate ao sistema que invoca a necessidade de «reformas» e de «políticas de austeridade» para reforçar a opressão social.
Uma certeza: a crise, na Grécia e no mundo, vai agravar-se com pesado custo para o proletariado de novo tipo que engloba a nível planetário centenas de milhões de trabalhadores.
E não será dos Parlamentos transformados em instrumentos da dominação das classes dominantes que sairá a saída para a crise global que vivemos e ameaça a Humanidade.
Por isso mesmo, a exemplar lição de combatividade dos trabalhadores gregos e do seu heróico partido, vanguarda revolucionária na melhor tradição leninista, é tão importante, bela e simbólica.
Nesta Primavera europeia do ano 2010, os filhos da Helada voltam a lutar pela Humanidade.

V.N.de Gaia, 9 de Maio de 2010
Miguel Urbano Rodrigues - in;diario.info ou link - http://www.odiario.info/?p=1592

10 de maio de 2010

65º Aniversário da vitória sobre os Nazis



Homenagem a Stalin na Ucrânia

A cidade ucraniana de Zaporizhia inaugurou uma estátua de Stalin numa concentração popular. O povo ucraniano, deste modo, expressa a sua rejeição das ideias dos nazistas e nacionalistas ucranianos, e reafirma que sua liberdade está ligada à vitória anti-nazista, a Stalin e à União Soviética.

Fonte: http://civilizacionsocialista.blogspot.com/

5 de maio de 2010

Povos da Europa, uni-vos contra o capitalismo!


O KKE (Partido Comunista da Grécia),num acto simbólico envia uma mensagem de resistência e contra-ataque para os povos da Europa na luta contra as medidas tomadas na Grécia e em outros países contra os trabalhadores sob o pretexto da crise capitalista.


Em 04 de maio, no início da manhã, dezenas de membros KKE (Partido Comunista da Grécia) fizeram uma ocupação simbólica da Acrópole. Com duas enormes bandeiras vermelhas e carregando 2 faixas "Povos da Europa stand up", escrito em Grego e Inglês alertando para o desenvolvimento da luta de classes. dentro de horas e após as manifestações maciças do 1 de Maio organizada pela Frente Todos os trabalhadores (PAME) em 75 cidades de todo o país e, pouco antes da greve de 24 horas em todo o país em 05 de maio contra as medidas promovidas pelo governo social-democrata, a União Europeia e o FMI. As autoridades do país estão em greve hoje.


Fonte: http://civilizacionsocialista.blogspot.com; 04-05-2010

11 de março de 2010

Cuba - a verdade dos factos


A propósito da morte de Orlando Tamaya desenvolve-se na comunicação social dominante, internacional e nacional, uma intensa campanha contra Cuba. Uma situação lamentável é aproveitada para fazer reviver o chorrilho de acusações e preconceitos anticomunistas e para dar fôlego às manobras de ingerência e tentativa de isolamento contra Cuba, o seu povo e a sua Revolução.


Alguns dos que até ao momento da sua morte nem sequer sabiam da existência de Orlando Tamayo elegem-no agora como «mártir» da «luta pela democracia». Para tal ocultam convenientemente que as condenações de Orlando Tamayo nada tiveram a ver com questões políticas. Ocultam que Tamayo era um cidadão julgado e condenado desde 1993 por sucessivos crimes previstos na Lei e na Constituição do seu País como os de violação de domicílio, de agressão grave, de posse de arma, de burla, alteração da ordem e desordem pública. Ocultam que Tamayo foi libertado sob fiança em Março de 2003 e que foi novamente preso após reincidência e que nem a lista dos chamados «presos políticos», elaborada em 2003 pela então Comissão de Direitos Humanos da ONU como elemento de ataque contra Cuba, incluía o seu nome. Orlando Tamayo não era um preso político, reivindicou para si essa condição em função da acumulação de penas, e os grupúsculos da chamada «oposição» cubana viram na instrumentalização dessa sua opção uma oportunidade para recuperar da sua descredibilização, avançando com medidas como a da canalização de verbas da fundação cubano-americana para a sua família.

Os mesmos que acusam Cuba de ter «assassinado premeditadamente» Orlando Tamayo ocultam que não há registo de maus tratos por parte do sistema prisional cubano. Ocultam que, pelo contrário, tudo foi feito para o tentar demover da sua greve da fome e que Orlando sempre foi acompanhado pelos serviços médicos cubanos, como o demonstra o facto de ter sido operado em 2009 a um tumor cerebral. Os que acusam Cuba de ter assassinado Tamayo são os mesmos que ocultam que a sua greve de fome foi incentivada por organizações como as «damas de branco», a fundação cubano-americana ou a rádio que ilegalmente transmite sinal a partir de Miami. A morte de Orlando Tamayo deve ser lamentada, este cidadão cubano não merecia morrer, mas os responsáveis pela sua morte são os que o incentivaram a levar a sua decisão até às últimas consequências.

Os mesmos que destilam o seu ódio anticomunista a propósito deste caso são os mesmos que colaboram com aqueles que na ilha de Cuba, na base militar dos EUA de Guantanamo, mantêm, sem direito a acusação e a julgamento, presos que, como está sobejamente provado, foram e são submetidos às mais horrendas torturas, privações, maus-tratos e humilhações. São os mesmos que se calam perante os 30.470 cidadãos assassinados pelos paramilitares colombianos nos últimos 20 anos, perante o golpe de estado nas Honduras e o assassinato de militantes pela democracia, perante o criminoso bloqueio contra Cuba, a reaccionária posição comum da União Europeia face a este País ou a infame decisão da Administração Obama de incluir Cuba na lista de patrocinadores de terrorismo. São os mesmo que esquecem as centenas de vítimas cubanas do terrorismo norte-americano, os mesmos que fingem não ver as denúncias da infiltração de grupos de comandos colombianos na Venezuela com uma lista de execuções de dirigentes comunistas e progressistas venezuelanos ou que classificam como «um sucesso» os recentes massacres de dezenas de civis no Afeganistão.

Mas esses que instrumentalizam a morte de um homem para prosseguir a sua ofensiva anticomunista têm dois problemas. O primeiro é a verdade: Cuba não é um Estado opressor e agressor e a sua população sabe-o bem. O segundo é a realidade: Cuba lidera, com outros países da América Latina, processos de afirmação progressista e de integração regional que estão a reduzir o campo de manobra daqueles que continuam a insistir na conspiração para manter o seu domínio na região.

Greve geral na Grécia


Manifestações e greve geral na Grécia

Guerra à guerra do capital



Em resposta ao maior ataque das últimas décadas aos seus salários e direitos, os trabalhadores gregos, organizados pela PAME e pelo partido comunista, saíram às ruas, ocuparam edifícios públicos e entraram em greve geral.

Uma semana depois do anúncio de um novo pacote de medidas draconianas de austeridade, os trabalhadores da Grécia voltam hoje, quinta-feira, à greve geral, traduzindo a revolta e a indignação que atravessa as diferentes camadas da maioria da população.

Desde que, no dia 3, o governo de Iorgos Papandreu revelou o seu plano para reequilibrar as contas do país, uma sucessão de acontecimentos abalou a Grécia. No próprio dia, à tarde, a Frente Sindical Militante (PAME) realizou manifestações de protesto em 55 cidades e convocou uma greve geral de 24 horas para sexta-feira, 5, quando o parlamento foi chamado a votar as medidas restritivas.

Na madrugada seguinte, dia 4, um grupo de 300 sindicalistas da PAME ocupou o edifício do Ministério das Finanças, em Atenas, afixando na sua fachada um enorme cartaz com a altura de quatro andares, no qual apelava à insurreição popular: «Sublevai-vos para que as medidas não se apliquem». Acções semelhantes contra edifícios do Estado tiveram lugar por todo o país.

O jornal Rizospastis, órgão central do partido comunista (KKE), saiu nessa manhã com um apelo à greve geral de 24 horas, incitando as massas a participar nas 62 manifestações marcadas para a tarde.

Algumas horas depois, as duas maiores centrais sindicais, GSEE e ADEDY, claramente rebocadas pela contestação nas ruas dirigida pela PAME e pelos comunistas, reviram o seu calendário e aderem à greve geral de sexta-feira, convocando uma paragem de três e quatro horas, nos sectores público e privado.

Refira-se que ADEDY, federação da função pública, já tinha convocado uma greve para 16 de Março, deixando ao governo espaço suficiente para aprovar e impor o seu pacote antipopular.

Na realidade, vários grandes sindicatos filiados nas centrais reformistas acabaram por convocar uma greve de 24 horas, seguindo na prática a orientação da PAME. Tal aconteceu, por exemplo, nos transportes públicos de Atenas e em vários outros sectores de actividade.


Não basta votar contra

A votação das medidas, com o apoio dos conservadores da Nova Democracia e da extrema-direita LAOS, decorrerá com o parlamento cercado por milhares de manifestantes em greve. Os deputados do KKE abandonaram o hemiciclo considerando que medidas tão duras e injustas para a generalidade dos trabalhadores não eram passíveis de discussão.

Cá fora, perante dezenas de milhares de trabalhadores (ver vídeo aqui), a secretária-geral do KKE, Aleka Papariga, explicou a posição do partido: «Neste momento de nada serve discutir uma proposta de lei que é claramente contrária aos interesses dos trabalhadores e constitui o prelúdio de novas medidas (…) Nesta fase, tudo o que é discutido no parlamento tem consequências trágicas para o povo trabalhador, e por isso temos de lutar antes que os projectos de lei sejam submetidos a debate. Quando lá chegarem haverá uma maioria que os aprovará (…) Hoje, não é suficiente votar contra uma proposta de lei (…) o que importa realmente é o que os trabalhadores reivindicam e como o reivindicam (…). A população, os trabalhadores, os empregados, o povo trabalhador, todos têm de tomar esta causa nas suas mãos, tanto hoje enquanto oposição como amanhã enquanto classe no poder».


Saque aos bolsos do povo

O primeiro-ministro grego, Iorgos Papandreu, não hesitou em comparar a crise financeira do país a uma situação de guerra e falar na «salvação do país» para justificar as medidas anti-sociais, que reconheceu serem «duras e possivelmente injustas».

A injustiça é porém clamorosa. Os 4,8 mil milhões de euros que o governo «socialista» pretende obter durante este ano serão retirados quase integralmente dos bolsos dos trabalhadores, designadamente mediante o aumento generalizado dos impostos dos produtos de consumo generalizado e de uma radical redução dos rendimentos dos trabalhadores da administração pública.

Vejamos. A maior fatia, 1700 milhões de euros, é obtida na rubrica «redução de remunerações»: 740 milhões nos subsídios de férias e de Natal e outras prestações; 450 milhões resultantes do congelamento das pensões na função pública; 360 milhões da redução dos prémios (compensações atribuídas no passado em substituição de actualizações salariais) e dos salários; e 150 milhões da redução das subvenções do Estado para os fundos de pensões.

Segue-se em importância a rubrica «aumento do IVA»: 1300 milhões de euros obtidos com a subida para 21 por cento deste imposto socialmente cego, que provocará a subida generalizada dos preços, penalizando os que menos podem.

Ainda no campo da fiscalidade, a rubrica «outros impostos» proporcionará 1100 milhões de euros, com o aumento dos combustíveis, tabaco, electricidade, bem como produtos de luxo.

Já na rubrica «investimento público», o governo pretende recolher 700 milhões de euros, cortando designadamente no orçamento da Educação.

Por fim, o governo «socialista» de Papandreu espera recolher 200 milhões de euros com o aumento dos impostos sobre as «grandes propriedades imobiliárias». Está bem de ver que o plano governamental isenta o grande capital de contribuir para a dita «salvação do país», isto apesar ser ele quem lucrou com os desmandos orçamentais dos últimos anos.

26 de fevereiro de 2010

Cartazes de homenagem a Estaline em Moscovo

O projecto da municipalidade de Moscovo para instalar cartazes para glorificar Josef Estaline, tendo como motivo o 65º aniversário da vitória sobre os nazis e a derrota de Hitler, reavivou na Rússia a polémica sobre o dirigente soviético.

Dez cartazes com o retrato de Estaline serão instalados “a pedido de ex-combatentes“ nos lugares onde estes se reúnem no dia 9 de Maio: a Praça em frente do Teatro Bolshoi, em pleno centro de Moscovo, assim noticiou na quinta-feira Vladimir Makarov, presidente do Comité para a publicidade do município da capital da Rússia.

O actual líder do Partido Comunista da Rússia, Guennadi Ziugánov, saudou a iniciativa de engalanar a ruas de Moscovo com faixas com o retrato do dirigente soviético, Josef Estaline e com informações sobre o seu papel na II Guerra Mundial.

“Se as autoridades moscovitas tomam a decisão, isto não só será indiscutivelmente acertado, mas também corajoso” afirmou o máximo dirigente comunista sobre esta proposta com o motivo do 65º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi, que se celebra no próximo dia 9 de Maio.

Ziuganov acrescentou que ao promover a iniciativa, pela primeira vez nos últimos vinte anos, as autoridades “deixaram de lado a hipocrisia de felicitar os russos pela festa da vitória, esquecendo de referir aquele que foi o máximo dirigente da URSS, sob cuja direcção se logrou esse triunfo.”

“Finalmente há que ser honesto, e reconhecer, informando deste facto, sobretudo as gerações mais jovens, que essa grande vitória teria sido impensável sem Estaline (...) e a unidade do povo soviético” sublinhou o líder comunista em declarações à agencia Interfax.

Qualificou de “absoluto disparate” as afirmações de que precisamente Estaline foi culpado de que as perdas humanas da União Soviética tenham superado as baixas da Alemanha nazi.

“As afirmações de que sacrificamos na guerra a vida de 27 milhões de cidadãos soviéticos, enquanto que por parte dos alemães foram menos, é um absoluto disparate”, assinalou ele.

Acrescentou que “as baixas nos exércitos alemão e soviético foram equiparáveis quanto à sua dimensão”.

“Muitos milhões dos nossos cidadãos civis foram aniquilados precisamente pelos fascistas", sublinhou ele.

Assinalou que todas as actividades dos comunistas a propósito do 65º aniversário da vitória reflectem o papel do líder soviético e informou que está a preparar um ensaio que tem por título “A época de Estaline em números, factos e conclusões”.

Fonte: http://socialismo-solucion.blogspot.com/2010/02/moscu-instalara-carteles-en-homenaje.html (original em espanhol)

18 de fevereiro de 2010

A Solidariedade Silenciada

Ou como os media internacionais diminuem e silenciam a intervenção humanitária de médicos cubanos no Haiti.




22 de janeiro de 2010

Terramoto e ocupação

O terramoto do Haiti ocorreu na terça-feira, 12 de Janeiro. Em 24 horas, os militares dos EUA haviam «tomado controlo» do aeroporto da capital (BBC, 18.1.10). Numa semana os EUA transportaram 9 a 10 mil soldados para o Haiti e «o Pentágono prepara-se para enviar mais» (New York Times, 17/1). O Canadá vai enviar mais mil soldados (Financial Times, 17/1). Mas a solidariedade internacional quase não saiu do aeroporto de Port-au-Prince: 5 dias após o sismo «a ONU diz que alimentou 8 mil pessoas, mas 2 a 3 milhões continuam desesperadamente necessitadas» (NYT, 17/1). Ainda o NYT explica: «O Programa Alimentar Mundial (WFP) conseguiu finalmente fazer aterrar voos com comida, medicamentos e água no sábado, depois de tentativas goradas na quinta e sexta-feira, afirmou um funcionário dessa agência. Esses voos foram desviados para que os Estados Unidos pudessem aterrar tropas e equipamento, e transportar americanos e outros estrangeiros para [destinos] seguros. «Há 200 voos a chegar e partir todos os dias, o que é uma quantidade incrível para um país como o Haiti» disse Jarry Emmanuel, o funcionário logístico de transportes aéreos da operação haitiana da agência [WFP]. «Mas a maioria desses voos são para os militares dos Estados Unidos». Acrescentou: «As prioridades deles são garantir o controlo do país. As nossas são dar de comer». A BBC (18/1) informa que «várias agências protestaram pelo facto de não conseguirem fazer chegar auxílio através do aeroporto», mas a família Clinton e a sua corte de jornalistas passam por lá à vontade. «A França e o Brasil apresentaram protestos oficiais porque os militares dos EUA que controlam o aeroporto negaram autorização de aterragem a voos de auxílio dos seus países» (AP, 17/1), incluindo um avião francês com um hospital móvel. Idêntico protesto veio da organização dos países das Caraíbas (CARICOM) e da Nicarágua (cubadebate, 17/1). O embaixador de França no Haiti declarou que «o aeroporto não está à disposição da comunidade internacional, transformou-se num apêndice de Washington» (Il Messaggero, 17/1). O Secretário de Estado francês para a Cooperação Alain Joyandet, pediu à ONU para definir o papel dos EUA: «trata-se de ajudar o Haiti, não de ocupar o Haiti» (Xinhua, 18/1).

Nos últimos dias repete-se que o Haiti «já não tinha Estado» antes do terramoto. Mas a comunicação social de regime pouco falou da história do Haiti no Século XX: uma história de ocupação pelos EUA (1915-34), feroz ditadura pró-americana da família Duvalier e os seus facínoras «Tontons-Macoute» (1957-86), golpes e invasões patrocinadas pelos EUA e França. Por duas vezes nos últimos 20 anos o Presidente Aristide, eleito por esmagadoras maiorias, foi derrubado em golpes de Estado inspirados em Washington. Em 2004, Aristide, tal como o Presidente hondurenho Zelaya, foi metido num avião e exilado. O próprio contou (entrevista à jornalista Amy Goodman, democracynow) que foram militares e membros da embaixada dos EUA no Haiti que o raptaram na noite de 28-29 de Fevereiro, sob o pretexto de garantir a sua segurança. Logo no dia 29, o Conselho de Segurança da ONU «tomou nota da demissão» de Aristide e aprovou o envio duma missão militar (resolução 1529), tendo os Marines dos EUA chegado ao país antes do anoitecer (Wikipedia, «2004 Haiti rebellion»). Como nas Honduras, o «quarto poder» do grande capital optou por um silêncio conivente. O papel da missão militar da ONU é relatado num filme disponível em globalresearch.

A atitude do gigante imperialista vizinho do Haiti é coerente com a sua História. Mas o significado da ocupação militar, a pretexto da tragédia, extravasa as fronteiras daquele martirizado país. Integra-se no cerco militar que os EUA estão a montar à Venezuela e a Cuba, com as novas bases militares na Colômbia, as provocações aéreas a partir da colónia holandesa de Curaçao, o reforço da presença militar no Panamá, a recente inclusão de Cuba na lista de «países promotores do terrorismo». É cada vez mais evidente a opção dos EUA por uma solução militar de largo espectro para a profundíssima crise em que estão atolados. Do Afeganistão e Paquistão, do Iémen à América Latina, quem conseguir descobrir diferenças entre Obama e Bush que avise.


Fonte: Jorge Cadima; Jornal "Avante!", 21/01/10

Afinal porquê a crise?

Fala-se muito na desregulação do sistema financeiro, em produtos tóxicos ou na bolha de crédito mal parado. E o cidadão fica perguntando qual é afinal a causa da crise.

Adam Smith, o grande economista do equilíbrio perfeito entre a oferta e a procura decerto se espantaria com a arrogância dos que querem dar comandos ao mundo a partir de um omnipotente «mercado global». Mas vejamos: há mais de 150 anos o cidadão Karl Marx já falava sobre as crises do capitalismo. São, dizia ele, crises de sobreprodução em relação à capacidade de consumo solvente. Isto é: em relação à capacidade de pagamento de que a população dispõe.

E aqui entra contradição insuperável do capitalismo:

É que, ao mesmo tempo que desenvolve a capacidade produtiva do homem, com a apropriação privada da mais-valia provoca uma pauperização crescente à escala mundial e nos próprios países capitalistas. E daí a queda de consumo solvente de que Marx falava.

O «crédito fácil» criou a ilusão de que a capacidade de consumo crescia e soprou a «financeira». Expressão, tal como os «produtos tóxicos», da ganância de lucro de que o capital é inseparável.

Como aditamento vale a pena acrescentar:

Quando a pretexto da crise se esmaga o valor da força de trabalho para aumentar os lucros – diminuindo assim a capacidade de consumo solvente – o capitalismo está preparando novas e mais graves crises para o futuro.

21 de janeiro de 2010

Haiti: Imperialismo e Subimperialismo

Está-se consumando a crónica anunciada e previsível da nova ocupação do Haiti pelos Estados Unidos, desta vez aproveitando o terremoto que devastou o país e sua capital. Os Estados Unidos já desembarcaram 11 mil militares no país.

Ontem, com tropas armadas e uniformizadas para combate, transportadas em helicópteros de guerra, ocuparam o palácio presidencial em Porto Príncipe. O aeroporto, não esqueçamos, continua sendo controlado e operado pelos Estados Unidos, que hastearam sua bandeira no local e decidem que aviões podem pousar. Nos últimos dias, deram prioridade a suas aeronaves, principalmente militares, prejudicando o desembarque da ajuda enviada por outros países e por organizações não-governamentais. A prioridade foi a segurança, não a vida da população haitiana, principalmente pobre. O ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet, chegou a protestar: "Precisamos ajudar o Haiti, não ocupá-lo."

É verdade que, tendo cumprido o cronograma inicial de desembarque de suas tropas, os Estados Unidos poderão autorizar, nos próximos dias, o pouso de um número maior de aviões de outros países, com técnicos e equipamentos para remoção de destroços, médicos e remédios para atendimento dos feridos, água e alimentos para a população desabrigada e desempregada. A essa altura, porém, a possibilidade de encontrar pessoas soterradas com vida será mínima e excepcional.

Sem que a mídia dê atenção a este aspecto, os Estados Unidos estão aumentando também o controle do porto que dá acesso à capital e de toda a área litorânea do Haiti, com um porta-aviões, um navio equipado com um hospital de campanha e vários navios da Guarda Costeira, visando a socorrer feridos, mas também a selecionar e controlar a aproximação de navios de ajuda de outros países, como o enviado pela Venezuela com combustível, e a impedir a emigração desesperada de haitianos para a costa estadunidense em pequenas embarcações.

Não podendo justificar suas ações arrogantes e unilaterais com ordens das Nações Unidas, o governo de Washington tem argumentado que atua a pedido do governo haitiano. Mas que soberania pode ter um governo, como o do presidente René Préval, que não dispõe sequer de forças policiais e de equipamentos de comunicação e transporte para manter a ordem pública e organizar o salvamento de seus cidadãos? É significativo também que o plano de salvamento e reconstrução do Haiti pelos Estados Unidos tenha sido anunciado, em conjunto, pelo presidente Barack Obama e pelos ex-presidentes Clinton e Bush - o mesmo Bush que demorou tanto a agir quando o furacão Katrina destruiu uma grande área dos Estados Unidos. Quando os interesses estratégicos da superpotência estadunidense e de suas empresas transnacionais estão em jogo, prevalece como sempre o consenso bipartidário entre "democratas" e "republicanos" - aliás, uma confluência bipartidária semelhante se ensaia agora no Brasil com o PSDB e o PT, apesar das acirradas disputas nas fases de eleição.

O jornalista Roberto Godoy, especializado em assuntos militares, escreve no "Estadão" de hoje: "Os Estados Unidos estão fazendo no Haiti o que sabem fazer melhor: ocupar, assumir, controlar. Decidida em Washington, a operação de suporte às vítimas da devastação, em quatro horas, tinha 2 mil militares mobilizados - e metade deles já seguia para Porto Príncipe - enquanto o resto do mundo apenas tomava conhecimento da tragédia. (...) É a Doutrina Powell, criada no fim dos anos 80 pelo então chefe do Estado-Maior Conjunto general Colin Powell, aplicada em tempo de paz. Ela prevê que os Estados Unidos não devem entrar em ação a não ser com superioridade arrasadora. (...) No sábado, oficiais americanos [seria mais correto escrever estadunidenses, porque americanos somos todos nós] estavam no comando do tráfego aéreo. Os paraquedistas da 82ª Divisão e os fuzileiros navais (...) são treinados para o combate e também para missões de resgate. Movimentam-se em helicópteros e veículos convertidos em ambulâncias leves. A retaguarda é poderosa. Um porta-aviões virou central logística e um navio-hospital de mil leitos chegou no domingo. Ontem, aviões dos Estados Unidos ocupavam 7 das 11 posições de parada remanescentes no aeroporto."

A mídia do grande capital, exagerando os saques e os conflitos, cumpriu seu papel de preparar a opinião pública para aceitar a operação político-militar dos Estados Unidos como necessária e benevolente. Na realidade, os Estados Unidos têm contribuído para acirrar os conflitos ao atrasar a ajuda humanitária de outros países e utilizar aviões e helicópteros para despejar suprimentos aleatoriamente sobre uma população sedenta, faminta e desorganizada. Até mesmo o general brasileiro Floriano Peixoto, comandante da Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas), ponderou em videoconferência que os casos mais graves de violência não são generalizados e disse que as ruas de Porto Príncipe estão desobstruídas, o que facilita a ação das forças de segurança. Na avaliação do general, a situação se mostra menos grave do que a versão difundida pela imprensa. Além disso, quem tem experiência política e já participou da resistência a regimes entreguistas e autoritários não pode deixar de receber com ceticismo a qualificação fácil e indiferenciada, difundida pela mídia, de que todos os presos que escaparam dos presídios destruídos pelo terremoto são criminosos comuns e integrantes de "gangues de bandidos". Muitos oficiais e soldados do antigo Exército haitiano formaram milícias, que declararam seu apoio ao último presidente livremente eleito Jean-Bertrand Aristide, depois que ele foi deposto em 2004. Seqüestrado por tropas estadunidenses e levado à força para a África do Sul, bem longe do Haiti, o ex-presidente Aristide continua impedido de voltar ao país e seu partido foi proibido de participar das últimas eleições realizadas sob o controle da Minustah.

Com as diferenças secundárias de motivação e de situação interna, o roteiro seguido pelos Estados Unidos no Haiti é, portanto, essencialmente, o mesmo adotado no Iraque ou no Afeganistão: primeiro, destroem-se os Estados nacionais que esbocem qualquer rebeldia, instalando a devastação econômica e social e o caos político; depois, utilizam-se essas circunstâncias deterioradas para justificar a construção de Estados satélites; por último, esses Estados satélites e corruptos se revelam incapazes de garantir a paz, resgatar a dignidade nacional e melhorar o padrão de vida da população (com as exceções de praxe das elites colaboracionistas), justificando que a ocupação estadunidense se prolongue indefinidamente. A crise aprofundada pela intervenção externa cria, enquanto isso, oportunidades de novos negócios lucrativos para os fabricantes de armas, as empresas de segurança e as grandes construtoras dos Estados Unidos e de seus aliados.

Para dissipar dúvidas sobre as reais intenções da intervenção "emergencial" e "humanitária" dos Estados Unidos no Haiti, o diplomata Greg Adams, enviado ao país caribenho como porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, declarou ao "Estadão" em Porto Príncipe: "É muito cedo para estabelecer prazos [para a retirada das tropas estadunidenses] e ficaremos aqui o tempo que for necessário [lembremo-nos de declarações semelhantes tornadas públicas no início da ocupação do Iraque]. Havia tropas estrangeiras no Haiti antes do terremoto [ah, é?]. Com a tragédia, além de todos os outros problemas, não vejo uma data-limite no futuro próximo para falarmos aos haitianos 'ok, agora é com vocês'. Ficaremos aqui por um bom tempo e acho que o Brasil também."

A referência à ação coadjuvante e subordinada do Brasil foi bem esperta. Que autoridade moral pode ter o governo brasileiro de protestar contra a ação estadunidense se tem participado da intervenção política e militar nos assuntos internos do Haiti, ainda que com a chancela formal das Nações Unidas, chancela já utilizada ao longo da historia da entidade para encobrir tantas outras intervenções? Participando das operações de segurança - ou seja, em bom português, de repressão - com o beneplácito e em benefício dos Estados Unidos, o Brasil espera ganhar o prêmio de consolação de tomar parte nos negócios de reconstrução do país. Aliás, grandes construtoras brasileiras, como a OAS e a Odebrecht, já enviaram equipes técnicas e equipamentos pesados para o Haiti, posicionando-se para a disputa que virá.

Quem afirma que não existe mais imperialismo no século XXI ou põe em dúvida o conceito de subimperialismo, utilizado para caracterizar a política externa atual do Brasil, principalmente na América Latina e no Caribe, tem assim a oportunidade de aprender, em cores e on line, o conteúdo concreto desses conceitos e dessas práticas. Abrindo bem os olhos, os patriotas e democratas brasileiros têm o dever de exigir que o Brasil renuncie ao comando militar da Minustah, retire progressivamente suas tropas do Haiti e se limite às ações de cunho efetivamente humanitário. O Haiti não precisa só de ajuda, precisa de soberania. Que os Estados Unidos realizem seu plano de intervenção e de construção de um Estado satélite no Haiti com seus próprios recursos humanos e materiais e sob sua exclusiva responsabilidade. Assim, pelo menos, a situação ficará mais clara e se tornará mais fácil mobilizar as forças antiimperialistas e democráticas no Haiti e nos demais países da América Latina e do Caribe. Não percamos de vista que um império em declínio, na desesperada tentativa de reverter o curso histórico que o debilita, pode tornar-se mais perigoso e aventureiro do que um império em ascensão e paciente.

Estou fechando este parêntese sobre a tragédia haitiana, porque já está claro que não se trata apenas de uma tragédia natural e humanitária, mas sobretudo política e militar. Recentemente, um terremoto devastou uma grande região da China, deixando 87 mil mortos, segundo as estimativas oficiais. Porque havia e há na China, apesar de sua pobreza ainda grande, um Estado soberano e ativo, foi possível lidar com as conseqüências da tragédia sem permitir a intervenção estrangeira no comando das operações de socorro e reconstrução ou o desembarque de tropas de outros países. A grande tragédia do Haiti foi a destruição progressiva de seu Estado nas últimas décadas, com a dissolução de suas forças armadas e policiais, a precarização de seus serviços públicos e a desorganização e divisão de sua população.

Fonte: Partido Comunista Brasileiro / Duarte Pereira; 20/01/2010