23 de fevereiro de 2011

EUA - TRABALHADORES OCUPAM O CAPITÓLIO !


Milhares de sindicalistas e trabalhadores do estado americano de Wisconsin ocuparam o edifício do Capitólio, onde funciona o parlamento estadual. É um ato de protesto contra o governador do estado, alcunhado de "Hosni Walker", numa comparação direta com o deposto ditador egípcio.

Os trabalhadores protestam contra a tentativa de eliminação dos seus direitos adquiridos na proposta do orçamento estadual. Os meios de comunicação que se auto-apregoam como "referência" procuram ocultar esta movimentação da classe operária dos EUA.

http://www.peoplesworld.org/angry-wisconsin-workers-occupy-capitol/

vídeo:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qCsG4g0dzJo

retirado de:
http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=2401:trabalhadores-americanos-ocupam-o-capitolio-&catid=84:solidariedade

16 de fevereiro de 2011

Contra o aumento da idade da reforma


Na defesa do regime público e universal da segurança social e contra o aumento da idade da reforma


Vai ser discutido e votado esta semana, no Parlamento Europeu, na sessão plenária de Estrasburgo, o relatório de Ria Oomen-Ruijten, sobre regimes de pensões, tendo por base o Livro Verde publicado pela Comissão Europeia.

É um relatório negativo. Além de promover o aumento da idade para obter direito à reforma, convergindo com o Conselho e o seu chamada Pacto da Competitividade, caminha no sentido de apoiar novos ataques ao regime público e universal da Segurança Social, apenas para beneficiar o sector financeiro, o qual pretende encontrar nas pensões novas formas de maiores ganhos especulativos.

Na comissão especializada onde este relatório esteve em debate, a deputada comunista, Ilda Figueiredo, e o Grupo da Esquerda Unitária Europeia/ Esquerda Verde Nórdica opuseram-se a este relatório e apresentaram um conjunto de propostas, contidas na Resolução alternativa, a qual também estará em debate e será votada esta semana, em Estrasburgo.

Somos contra o aumento da idade da reforma e defendemos o regime de pensões integrado no sistema público universal da Segurança Social, que valorize as pensões e reformas mais baixas, que respeite as pessoas idosas e lhes permita viver com dignidade, contribuindo para a erradicação da pobreza.

14 de fevereiro de 2011

Reunião do Comité Central do PCP


Nesta sua reunião de 11 e 12 de Fevereiro, o Comité Central do PCP analisou a evolução da situação política nacional, aspectos do desenvolvimento da situação internacional e avaliou as principais linhas de intervenção para o prosseguimento da luta pela ruptura e mudança no nosso país e aprovou uma Resolução sobre o 90º Aniversário do PCP.

O Comité Central deu uma particular atenção à agenda e objectivos inscritos pelo grande capital e os seus centros de poder para intensificar a exploração e liquidar direitos sociais. Agenda e objectivos que PS e PSD assumem concretizar com o apoio do CDS/PP e o patrocínio do Presidente da República e que se traduzem num novo e mais drástico ataque aos direitos dos trabalhadores, às condições de vida do povo e à soberania nacional. São peças nucleares da sua estratégia as anunciadas novas alterações à legislação laboral visando, entre outras, facilitar e embaratecer os despedimentos, desregulamentar os horários e fomentar a precarização laboral, a par da ofensiva dirigida contra a contratação colectiva e de um ambicionado aumento da idade da reforma que, no seu conjunto, se materializadas, se traduzirão no aprofundamento da exploração da força do trabalho.

O Comité Central analisou os inquietantes desenvolvimentos que, a partir da União Europeia e sob a cúmplice colaboração de PS e PSD, se preparam contra o que resta da parcela de soberania do país. Neste âmbito, a discussão e o acordo de princípio firmados no último Conselho Europeu constituem um salto qualitativo na centralização e concentração do poder político e económico e no carácter neoliberal da União Europeia.

A chamada «governação económica» e a proposta de «pacto para a competitividade» que inscrevem tal programa, a serem aprovados e aceites, representariam uma inadmissível ingerência, uma nova ofensiva contra os rendimentos do trabalho e os direitos dos trabalhadores, mais privatizações e alienação de recursos nacionais, novos ataques contra os serviços públicos e as funções sociais do Estado.

Num quadro em que o grande capital parece ainda ver no PS e no seu governo os executores privilegiados de uma política ao seu serviço, o Comité Central do PCP reafirma a exigência de uma inadiável ruptura e mudança com o rumo que a política de direita vem impondo ao país e chama a atenção para as manobras que PSD e CDS conduzem para, a par do apoio e incentivo à acção do Governo, procurarem demarcar-se do seu comprometimento e responsabilidades com tal política, com o objectivo de promoverem novas ilusões e falsas alternativas. Alerta, por isso, para as campanhas de mistificação que, iludindo a plena e comprovada identidade nas questões essenciais entre PS e PSD, visam garantir com novas caras, no momento e nas condições julgadas mais seguras para o capital, a sucessão na política de direita.

O PCP rejeitando campanhas que fantasiosamente agitam um alegado «regresso da direita» para assegurar a estabilidade à política de direita que PS e PSD prosseguem, reafirma que não prescindirá de nenhum dos meios e instrumentos políticos e institucionais a que tem direito, para dar expressão ao protesto e indignação dos que, atingidos por esta política, lutam, resistem e exigem uma outra política, construída na base de uma real alternativa capaz de garantir um futuro melhor num Portugal de progresso.

Em relação à evolução da situação económica e social, o Comité Central regista o inquietante e dramático agravamento da situação decorrente do ataque aos salários, às reformas e pensões, do agravamento do desemprego, do aumento dos preços, dos cortes sociais e dos serviços públicos, da dificuldade de acesso aos cuidados de saúde que estão a conduzir para a pobreza milhares de portugueses e a lançar centenas de milhares de famílias numa situação insustentável.

Numa situação marcada por elevados défices estruturais e pela enorme dívida externa (pública e privada), chama-se a atenção para as consequências a médio/longo prazo que as taxas de juro impostas ao Estado Português nas operações de financiamento da nossa dívida externa colocam e para a imperiosa necessidade de pôr em marcha uma política de desenvolvimento económico que garanta o pleno emprego, salários dignos e a defesa e afirmação do aparelho produtivo nacional.

A precariedade e os baixos salários, o desemprego e a ausência de saídas profissionais, estão a conduzir toda uma jovem geração mais qualificada a um futuro sem perspectivas e sem saída. É para assegurar o direito a uma vida com futuro que o PCP colocará, desde já, no âmbito da interpelação agendada sobre legislação laboral, um conjunto de iniciativas e propostas que visam garantir direitos que não podem ser negados à novas gerações.

Nesse sentido, o PCP concretizará as iniciativas legislativas indispensáveis para eliminar a possibilidade de jovens trabalhadores que, só por o serem, estão obrigatoriamente sujeitos a vínculos precários e para impedir que cada vez mais jovens, que ocupam postos de trabalho permanentes, estejam sujeitos a contratos a prazo, ao trabalho temporário, ao falso recibo verde e às bolsas e estágios. No caso particular dos recibos verdes, o PCP apresentará propostas para a sua reconversão em contratos, em que deve ser a entidade patronal a provar que se trata de uma prestação de serviços, em lugar de ser o trabalhador a provar o contrário.

O PCP apresentará um Programa Nacional de Combate à Precariedade e ao Trabalho Ilegal, colocando assim na sociedade portuguesa a exigência de eliminação da praga social da precariedade laboral, como aconteceu com o trabalho infantil.

O PCP dirige-se aos jovens e às novas gerações para que usem os seus direitos e lutem pelo seu presente e futuro, pela mudança que Portugal precisa.

Perante o agravamento de todos os problemas nacionais e de acentuação de uma política que coloca o país sobre a ameaça de um ciclo infernal que se renova em sacrifícios para as classes e camadas populares, é no reforço do desenvolvimento da luta de massas que reside a decisiva resposta para impor a ruptura com a política de direita.

No que se refere à evolução da situação internacional, o Comité Central expressa a sua solidariedade para com as lutas e os levantamentos populares e democráticos dos povos do Mundo Árabe no Magrebe e Médio Oriente, que representam desde já – e independentemente dos desfechos que possam vir a ter – importantes avanços na tomada de consciência política das massas trabalhadoras e populares, da percepção do seu efectivo poder e são um significativo revés na estratégia de dominação do imperialismo norte-americano e europeu nesta região do globo.

O Comité Central, condenando a violenta repressão contra os povos em luta, expressa a sua solidariedade às forças democráticas, progressistas e revolucionárias daquela região e saúda o povo do Egipto, cuja determinação e coragem acaba de ditar o afastamento de Hosni Mubarak. Face a esta importante vitória parcial, o PCP chama a atenção para os perigos que subsistem e para a importância da intensificação da solidariedade com o povo do Egipto.

Por fim e de entre a vasta intervenção do PCP prevista para o ano de 2011, destacam-se as comemorações do seu 90º Aniversário.

Afirmando com orgulho a história do Partido na luta pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo, projecta-a para a intervenção no presente, ligada à vida, aos problemas, aos anseios e reivindicações que se colocam aos trabalhadores e ao povo português e ao conjunto das exigentes tarefas que, de forma integrada, estão colocadas ao Partido. Por isso, saúda a organização do Partido que por todo o país está a preparar o seu próprio plano de comemorações, destacando desde já a realização de cinco grandes iniciativas – Lisboa, Porto, Seixal, Alentejo e Madeira.

Neste ano de particular significado, o PCP dirige-se aos trabalhadores e ao povo português reafirmando a sua determinação em prosseguir a luta pelo seu objectivo supremo, por uma sociedade socialista que incorpore e desenvolva os elementos constitutivos fundamentais da democracia avançada e concretize o poder dos trabalhadores e do povo. Uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem, na qual sejam assegurados a todos os direitos ao trabalho, à saúde, ao ensino, à habitação e à reforma e da qual sejam banidas as desigualdades, as injustiças, as discriminações e os flagelos sociais.

10 de fevereiro de 2011

O jornal da luta antifascista


Em Agosto de 1941, o Avante! voltou a sair, fruto da reorganização do Partido iniciada um ano antes por militantes como Álvaro Cunhal, José Gregório, Sérgio Vilarigues, Militão Ribeiro, Pires Jorge, Pedro Soares, Manuel Guedes e Júlio Fogaça. Nestes anos, fruto das medidas organizativas e políticas tomadas, o PCP torna-se no grande partido da resistência antifascista – um partido com implantação nacional e junto de vários sectores, com um aparelho clandestino mais preparado para resistir às ofensivas da polícia e com capacidade para trazer para a rua as massas populares, cada vez mais esmagadas pela exploração e pela carestia de vida.

Nestes anos, o Partido alarga-se: entre 1943 e 1946, o número de militantes aumenta seis vezes e as organizações locais cinco. A tiragem do Avante! quadruplica. No início dessa década, ao apelo do Partido, travam-se grandes greves e manifestações, as maiores que o fascismo enfrentara até então.

Acompanhando este crescimento do Partido e da luta, e contribuindo decisivamente para ele, o Avante! saiu ininterruptamente até Abril de 1974, enfrentando e fintando a apertada repressão fascista. Num país amordaçado pela censura, o Avante! exerceu o direito à informação, publicando o que o fascismo pretendia calar: pelas suas páginas passou a denúncia do fascismo e daqueles a quem servia (os latifundiários e os monopólios, associados ao imperialismo); passou a acusação dos crimes cometidos contra os antifascistas no País e nas ex-colónias; a valorização das lutas travadas nas fábricas, nos campos e nas universidades; a exposição da política do Partido; a solidariedade internacionalista. Nas centenas de números publicados ao longo destas décadas, o Avante! cimentou consciências, construiu a unidade, mobilizou para a luta. Foi – como continua a ser – um constante e fiel aliado dos trabalhadores e do povo português no seu longo e tenaz combate pela liberdade.

A inevitável opção de resistir


Ao proletariado de Portugal. Foi com estas palavras, impressas na manchete da primeira edição do Avante!, a 15 de Fevereiro de 1931, que começou esta caminhada de 80 anos assinalada nesta edição. Nesse ano distante construía-se já no País aquela que foi a mais longa ditadura fascista da Europa, que oprimia e favorecia a cruel exploração dos trabalhadores pelos potentados económicos e calava qualquer anseio de liberdade, democracia e justiça. O movimento sindical e operário foi esmagado, os partidos proibidos, assim como os seus periódicos. Só o PCP optou por resistir e prosseguir o combate – mas tal obrigava a que o fizesse na mais rigorosa clandestinidade, enfrentando a feroz perseguição dos esbirros do fascismo.

O surgimento do Avante! foi um dos resultados da reorganização do Partido iniciada em Abril de 1929, sob a direcção de Bento Gonçalves, e que transformou o PCP num partido revolucionário, com crescente influência entre as massas e, assim, mais capaz de lutar nas difíceis condições de clandestinidade. Mas a publicação do Avante! foi, também ela, um importante contributo para a construção do Partido e para a divulgação das ideias do socialismo, bem como para a mobilização para a luta. Aplicava-se assim, à realidade portuguesa da época, os ensinamentos de Lénine relativos ao jornal comunista: este deveria ser um agitador, um propagandista e um organizador.

Apesar dos êxitos notáveis alcançados pelos comunistas ao longo da década de 30, o PCP não estava ainda preparado para resistir à crescente violência do salazarismo, embalado então pelas vitórias dos seus aliados Hitler, Mussolini e Franco. As prisões de dirigentes e militantes sucedem-se (entre as quais a de Bento Gonçalves e de outros membros do Secretariado) e o Avante! ressente-se, vendo a sua publicação interrompida e retomada por cinco vezes. Em finais de 1938, praticamente deixa de se publicar.

Adesão esmagora dos trabalhadores


à greve do Metro: Contra o Roubo nos Salários!

Realizou-se, com êxito, às mais uma jornada de luta dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, que encerrou toda a actividade da empresa até às 11h30. Uma luta realizada contra o roubo nos salários dos trabalhadores da Empresa
(desde a reduçao dos salários, à redução do valor hora no trabalho extraordinário e nocturno, ao corte de diversas outras cláusulas do Acordo de Eempresa, ao congelamento dos salários, das dioturnidades e progressões). Uma luta inserida na semana de luta dos trabalhadores dos transportes e comunicações, que continuará já na quarta com greves na Trantejo e Carris, na Quinta com greves no Sector Ferroviário e na Sexta com greves na Soflusa e empresas rodiviárias.

O deputado do PCP na Assembleia da República, Bruno Dias, expressou aos piquetes de greve a total e activa solidariedade do PCP com a justa luta que travam.

9 de fevereiro de 2011

As «crises» e as «concordatas»


No plano dos interesses eclesiásticos, esta «crise» do capitalismo é francamente animadora. Os cortes financeiros esmagam os mais pobres mas representam também um alto poleiro para as grandes fortunas e para os mercados e grupos económicos onde o Vaticano tem muito dinheiro metido. Abrem-se novas oportunidades para o rejuvenescimento das gerações de servidores do grande capital, a maior parte deles formados em colégios e institutos católicos. Alteram-se favoravelmente as estruturas das camadas sociais dominantes, com claros benefícios para a Igreja e para a «sociedade civil». Se não durar tempo demasiado, a «crise» será um mal menor, suscitará novas alianças, criará outras oportunidades e dará uma outra imagem do poder político. Mas a crise tem de ser sabiamente gerida.

Na penumbra dos silêncios oficiais, os tecnocratas do altar rejubilam. Há biliões e biliões em jogo. Milhões de seres vagueiam, disponíveis, sem destino certo e definido. Grandes fortunas, banqueiros, especuladores e accionistas, investidores, políticos, aventureiros, homens sem escrúpulos mas com ambição, marginalizados, migrantes – toda uma multidão imensa e dispersa corre de país em país, de nação em nação, em busca da sua sorte e de um lugar ao sol. São nómadas que podem vir a constituir o embrião de uma «Nova Ordem» capitalista e confessional. A situação mundial parece talhada à medida das ambições da Igreja.

No microcosmos português todo este panorama se projecta nitidamente, ponto por ponto. O poder é corrupto, os políticos mentirosos e a «sociedade civil» uma ficção. A independência nacional é uma balela que serve para embalar os ingénuos.

Veja-se só como os ministros pulam de capelinha em capelinha para juntarem o dinheiro com que correm a salvar os bancos falidos, a subsidiar acordos secretos e a satisfazer clientelas institucionais. Os governos limitam-se a cumprir as ordens recebidas das centrais capitalistas mundiais.

A Igreja católica portuguesa, «guia moral» da nação, assiste e cala-se, soma e segue. Considera-se ao abrigo de todas as suspeitas. Faz tudo quanto for necessário para garantir a unidade táctica da direita política. E põe sistematicamente em prática um plano consistente de projectos e ambições. A sua posição privilegiada está defendida pela couraça legal (?) de uma Concordata com a Santa Sé firmada com o regime fascista em 1940 e «actualizada» em 2004 por um executivo que se auto-denominava «democrata». É um texto sem dúvida importante, uma moldura jurídica das relações Igreja/Estado mas que nem por isso faz esquecer aspectos básicos omitidos, como a questão da fiscalização das contas eclesiásticas ou o quadro emaranhado das relações legais do episcopado com a banca, os off shores, as fundações, as lotarias, os investimentos nas bolsas e nos «mercados» – enfim ! – o mundo mudo e surdo por onde se escoam torrentes do dinheiro que falta depois ao «combate à pobreza», à Segurança Social ou a sectores essenciais da vida do povo português.

A área da acção social constitui para a hierarquia católica uma espécie de laboratório experimental das suas teses. Se a parceria políticos/banqueiros gera a injustiça e a exploração, à Igreja convirá apagar todas as pistas das relações políticas e sociais que com esses parceiros mantém. Depois, no passo seguinte, constrói-se a nova ficção do «combate à pobreza», dos valores da caridade cristã, da resignação e da multidão de esfomeados capazes de a si próprios se organizarem na luta. Surgem os «iluminados», os «leigos voluntários» que aparentemente sobrevivem pela fé e os «condutores de homens» que pastoreiam a «sociedade civil». Em breve o «milagre» acontece. Estruturas antigas e bem enraizadas como as misericórdias ou as instituições não lucrativas «convertem-se» aos novos ideais civis. Os capitais necessários para financiar a acção surgem naturalmente dos bolsos dos banqueiros solidários com o povo encorajados pelos políticos, afinal injustamente acusados até ali de corrupção.

Em Portugal, este eventual prodígio miraculoso não pertence ao reino da fantasia. Vem a caminho. Trata-se de aumentar a pobreza, combatendo-a. De destruir a democracia, defendendo-a. E de unir os explorados, desunindo-os.

É bom que despertemos para estes perigos e os combatamos, desde já ! Não são de agora. Eles foram largamente promovidos no passado, no tempo das Cruzadas, também quando se elaborou o pensamento jesuíta ou quando a «democracia cristã» abriu caminho à escalada para o poder das hordas fascistas.



por;Jorge Messias
avante . N.º 1940 3.Fevereiro.2011

4 de fevereiro de 2011

O movimento de protesto no Egipto:


“Ditadores” não ditam, obdecem a ordens

Michel Chossudovsky*
01.Fev.11 :: Destaques

As últimas declarações da secretária de Estado Hillary Clinton em que afirmou apoiarem os EUA uma transição tranquila para um regime democrático no Egipto confirmam a análise prévia de Michel Chossudowsky neste artigo.


O regime Mubarak pode entrar em colapso face ao vasto movimento de protesto à escala nacional. Quais as perspectivas para o Egipto e o mundo árabe?

“Ditadores” não ditam, eles obedecem a ordens. Isto é verdade tanto na Tunísia como na Argélia e no Egipto.

Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem.
O presidente Hosni Mubarak foi o fiel servidor dos interesses económicos ocidentais e assim era Ben Ali.

O governo nacional é o objecto do movimento de protesto. O objectivo é remover o fantoche ao invés do mestre do fantoche. Os slogans no Egipto são “Abaixo Mubarak, abaixo o regime”. Não há cartazes anti-americanos… A influência avassaladora e destrutiva dos EUA no Egipto e por todo o Médio Oriente permanece oculta.

As potências estrangeiras que operam nos bastidores estão protegidas do movimento de protesto.

Nenhuma mudança política significativa se verificará a menos que a questão da interferência estrangeira seja tratada de forma explícita pelo movimento de protesto.

A Embaixada dos EUA no Cairo é uma importante entidade política, sempre ofuscando o governo nacional, não é alvo do movimento de protesto.

No Egipto, em 1991 foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anulação da multimilionária dívida militar do Egipto para com os EUA bem como da sua participação na guerra. A resultante desregulamentação dos preços dos alimentos, a privatização geral e medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia. O Egipto era louvado como uma “aluno modelo” do FMI.

O papel do governo de Ben Ali na Tunísia foi impor os remédios económicos mortais do FMI, os quais num período de mais de vinte anos serviram para desestabilizar a economia nacional e empobrecer a população tunisina. Ao longo dos últimos 23 anos, a política económica e social na Tunísia foi ditada pelo Consenso de Washington.

Tanto Hosni Mubarak como Ben Ali permaneceram no poder porque os seus governos obedeceram e aplicaram efectivamente os diktats do FMI.

Desde Pinochet e Videla até Baby Doc, Ben Ali e Mubarak, os ditadores têm sido instalados por Washington. Historicamente, na América Latina, os ditadores eram nomeados através de uma série de golpes militares patrocinados pelos EUA.

Hoje eles são nomeados através de “eleições livres e justas” sob a supervisão da comunidade internacional.

Nossa mensagem ao movimento de protesto:

As decisões reais são tomadas em Washington DC, no Departamento de Estados dos EUA, no Pentágono, em Langley, sede da CIA, na H Street NW, as sedes do Bando Mundial e do FMI.

O relacionamento do “ditador” com interesses estrangeiros deve ser considerado. Derrubar fantoches políticos mas não esquecer de alvejar os “ditadores reais”.

O movimento de protesto deveria centrar-se na poltrona real da autoridade política; deveria ter como alvo a Embaixada dos EUA, a delegação da União Europeia, as missões nacionais do FMI e do Banco Mundial.


Uma mudança política significativa só pode ser assegurada se a agenda de política económica neoliberal foi jogada fora.

Substituição de regime

Se o movimento de protesto deixar de tratar o papel das potências estrangeiras incluindo pressões exercidas por “investidores”, credores externos e instituições financeiras internacionais, o objectivo da soberania nacional não será alcançado. Nesse caso, o que ocorrerá é um processo estreito de “substituição de regime”, o qual assegura continuidade política.

“Ditadores” são postos e depostos. Quando eles estão politicamente desacreditados e já não servem os interesses dos seus patrocinadores estado-unidenses, eles são substituídos por um novo líder, muitas vezes recrutado dentro das fileiras da oposição política.

Na Tunísia, a administração Obama já se posicionou. Ela pretende desempenhar um papel chave no “programa de democratização” (isto é, manutenção das chamadas eleições justas). Ela também pretende utilizar a crise política como um meio de enfraquecer o papel da França e consolidar a sua posição na África do Norte:

“Os Estados Unidos, que foram rápidos em avaliar a vaga de protesto nas ruas da Tunísia, estão a tentar pressionar em seu proveito a fim de promover reformas democráticas no país e outras mais além.

O alto enviado dos EUA para o Médio Oriente, Jeffrey Feltman, foi o primeiro responsável estrangeiro a chegar ao país depois de o presidente Zine El Abidine Ben Ali ser derrubado em 14 de Janeiro e suavemente apelou a reformas. Ele disse na terça-feira que só eleições livres e justas fortaleceram e dariam credibilidade à liderança sob ataque do estado norte africano.
“Espero certamente que estaremos utilizando o exemplo tunisino” em conversas com outros governos árabes, acrescentou o secretário de Estado Feltman.

Ele foi despachado para o país norte africano a fim de oferecer a ajuda dos EUA na turbulenta transição de poder e encontrar-se com ministros e figuras da sociedade civil tunisina.

Feltman viaja para Paris na quarta-feira a fim de discutir a crise com líderes da França, promovendo a impressão de que os EUA está a conduzir apoio internacional a uma nova Tunísia, em detrimento da antiga potência colonial, a França. …

Países ocidentais apoiaram por longo tempo a derrubada liderança da Tunísia, encarando-a como um baluarte contra militantes islâmicos na região norte africana.

Em 2006, o então secretário da Defesa dos EUA Donald Rumsfeld, falando em Tunis, louvou a evolução do país.

A secretária de Estado Hillary Clinton, agilmente, interveio com um discurso em Doha a 13 de Janeiro advertindo líderes árabes para permitirem aos seus cidadãos maiores liberdades ou [sofrerem] o risco de extremistas explorarem a situação.
“Não há dúvida de que os Estados Unidos estão a tentar posicionar-se muito rapidamente do lado bom…” AFP: US helping shape outcome of Tunisian , enfase acrescentada.
Será que Washington terá êxito em nomear um novo regime fantoche?

Isto depende muito da capacidade do movimento de protesto de tratar o papel insidioso dos EUA nos assuntos internos do país.

Os poderes avassaladores do império não são mencionados. Numa ironia amarga, o presidente Obama exprimiu o seu apoio ao movimento de protesto.

Muitas pessoas dentro do movimento de protestos são levadas a acreditar que o presidente Obama está comprometido com a democracia e os direitos humanos e é apoiante da resolução da oposição de destronar o ditador, o qual fora antes instalado pelos EUA.

Cooptação de líderes da oposição

A cooptação dos líderes dos principais partidos da oposição de organizações da sociedade civil na previsão do colapso de um governo fantoche autoritário faz parte dos desígnios de Washington, aplicados em diferentes regiões do mundo. O processo de cooptação é implementado e financiado pelos EUA com base em fundações incluindo o National Endowment for Democracy (NED) e o Freedom House (FH). Tanto o FH como o NED têm ligações ao Congresso dos EUA, ao Council on Foreign Relations (CFR) e ao establishment de negócios estado-unidense. Tanto o NED como o FH são conhecidos por terem laços com a CIA.

O NED está envolvido activamente na Tunísia, Egipto e Argélia. A Freedom House apoia várias organizações da sociedade civil no Egipto.

“O NED foi estabelecido pela administração Reagan depois de o papel da CIA nos financiamentos encobertos para derrubar governos estrangeiros ter sido trazido à luz, levando ao descrédito dos partidos, movimentos, revistas, livros, jornais e indivíduos que receberam financiamento da CIA. … Como uma fundação bi-partidária, com participação dos dois principais partidos, bem como da AFL-CIO e da US Chamber of Commerce, o NED assumiu o comando do financiamento de movimentos para derrubar governos estrangeiros, mas abertamente e sob a rubrica da “promoção da democracia”. (Stephen Gowans, January « 2011 “What’s left”

Se bem que os EUA tenha apoiado o governo Mubarak durante os últimos trinta anos, fundações dos EUA com laços no Departamento de Estado e no Pentágono apoiaram activamente a oposição política incluindo o movimento da sociedade civil. Segundo a Freedom House: “A sociedade civil egípcia é tanto vibrante como constrangida. Há centenas de organizações não governamentais dedicadas a expandir direitos civis e políticos no país, operando num ambiente altamente regulado”. (Freedom House Press Releases).

Numa ironia amarga, Washington apoia a ditadura Mubarak, incluindo suas atrocidades, enquanto também apoia e financia seus detractores, através das actividades do FH, NED, dentre outras.

O esforço da Freedom House para envolver uma nova geração de advogados proporcionou resultados tangíveis e o programa New Generation no Egipto ganhou proeminência tanto ao nível local como internacional. Membros visitantes egípcios de todos os grupos da sociedade civil receberam [Maio 2008] atenção sem precedentes e reconhecimento, incluindo reuniões em Washington com o secretário de Estado, o Conselheiro de Segurança Nacional e membros eminentes do Congresso. Nas palavras de Condoleezza Rice, eles representam a “esperança para o futuro do Egipto”.
http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84

Política dúplice: Conversar com “ditadores”, misturar-se com “dissidentes”

Sob os auspícios da Freedom House, em Maio de 2008 dissidentes egípcios e oponentes de Hosni Mubarak foram recebidos por Condoleezza Rice no Departamento de Estado e no Congresso dos EUA.

Em Maio de 2009, Hillary Clinton encontrou-se com uma delegação de dissidentes egípcios, visitando Washington sob os auspícios da Freedom House. Foram reuniões de alto nível. Este grupos de oposição, os quais estão a desempenhar um papel importante no movimento de protesto, estão destinados a servir os interesses dos EUA. A América é apresentada como um modelo de Liberdade e Justiça. O convite de dissidentes para o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA pretende instilar um sentimento de compromisso e lealdade a valores democráticos americanos.

Os mestres dos fantoches apoiam o movimento de protesto contra os seus próprios fantoches

Os mestres dos fantoches apoiam dissidentes contra os seus próprios fantoches?

Chama-se a isto “alavancagem política”, “fabricação de dissidentes”. O apoio a ditadores bem como a oponentes do ditador como um meio de controlar a oposição política.

Estas acções da parte da Freedom House e do National Edowment for Democracy, por conta das administrações Bush e Obama, asseguram que a oposição da sociedade civil financiada pelos EUA não dirigirá suas energias contra os mestres do fantoche por trás do regime Mubarak, nomeadamente o governo dos EUA.

Estas organizações da sociedade civil financiadas pelos EUA actuam como um “Cavalo de Tróia” o qual fica incorporado dentro do movimento de protesto. Elas protegem os interesses dos mestres do fantoche. Elas asseguram que o movimento de protesto das bases não considerará a questão mais vasta da interferência estrangeira nos assuntos internos de estados soberanos.

Os Facebook, Twitter e bloguistas apoiados e financiados por Washington

Em relação ao movimento de protesto no Egipto, vários grupos da sociedade civil financiados por fundações com sede nos EUA têm dirigido o protesto com o Twitter e o Facebook:

“Activistas do movimento Kifaya (Basta) do Egipto – uma coligação de oponentes ao governo – e o Movimento da Juventude 6 de Abril organizaram os protestos nas redes sociais dos sítios web do Facebook e Twitter”. (Ver Voice of America, Egypt Rocked by Deadly Anti-Government Protests

O movimento Kifaya, o qual organizou uma das primeiras acções dirigidas contra o regime Mubarak em 2004, é apoiado pelo International Center for Non-Violent Conflict com sede nos EUA, o qual é ligado à Freedom House. Por sua vez, a Freedom House tem estado envolvida na promoção e treino do Facebook e de blogs Twitter no Médio Oriente e África do Norte.

Os assistidos pela Freedom House adquiriram qualificações em mobilização cívica, liderança e planeamento estratégico, e beneficiam de oportunidades em rede através da interacção com doadores, organizações internacionais e os media baseados em Washington. Depois de retornarem ao Egipto, os assistidos receberam pequenas subvenções para implementar iniciativas inovadoras tais como advogar pela reforma política através do Facebook e de mensagens SMS.
http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84 (emphasis added)

De 27 de Fevereiro a 13 de Março [2010], a Freedom House hospedou 11 bloguistas do Médio Oriente e África do Norte [de diferentes organizações da sociedade civil] para um Advanced New Media Study Tour de duas semanas em Washington, DC. O Study Tour deu aos bloguistas treino em segurança digital, feitura de vídeos digitais, desenvolvimento de mensagens e mapeamento digital. Enquanto em DC, os assistidos também participaram numa reunião no Senado e encontraram-se com responsáveis de alto nível na USAID, no Departamento de Estado e no Congresso bem como com os media internacional incluindo a Al-Jazeera e o Washington Post .
http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=115&program=84&item=87 ênfase acrescentada

Pode-se facilmente perceber a importância concedida pela administração dos EUA a este programa de treino de bloguistas, o qual é complementado com reuniões no Senado, no Congresso, no Departamento de Estado, etc.

O papel do movimento Facebook Twitter como expressão de dissidência deve ser cuidadosamente avaliado à luz de ligações de várias organizações da sociedade civil à Freedom House (FH), à National Endowment for Democracy (NED) e ao Departamento de Estado dos EUA.

A Fraternidade Muçulmana

A Fraternidade Muçulmana constitui no Egipto o maior segmento da oposição ao presidente Mubarak. Segundo informações, a Fraternidade Muçulmana domina o movimento de protesto.

Apesar de haver uma proibição constitucional de partidos políticos religiosos, membros eleitos ao parlamento egípcio como “independentes” constituem o maior bloco parlamentar.

A Fraternidade, contudo, não constitui uma ameaça directa aos interesses económicos e estratégicos de Washington na região. Agências de inteligência ocidentais têm uma longa história de colaboração com a Fraternidade. O apoio britânico à Fraternidade instrumentado através do Serviço Secreto Britânico remonta à década de 1940. A partir da década de 1950, segundo o antigo responsável de inteligência William Baer, “A CIA [canalizou] apoio à Fraternidade Muçulmana devido à louvável capacidade da Fraternidade para derrubar Nasser”. 1954-1970: CIA and the Muslim Brotherhood Ally to Oppose Egyptian President Nasser. Estas ligações encobertas à CIA foram mantidas na era pós Nasser.

Notas conclusivas

A remoção de Hosni Mubarak tem estado, desde há vários anos, nos planos da política externa dos EUA.

A substituição de regime serve para assegurar continuidade, ao mesmo tempo que proporciona a ilusão de que se verificou uma mudança política significativa.

A agenda de Washington para o Egipto tem sido “sequestrar o movimento de protesto” e substituir o presidente Hosni Mubarak por um novo fantoche complacente na chefia do estado.

O objectivo de Washington é sustentar os interesses de potências estrangeiras, defender a agenda económica neoliberal que serviu para empobrecer a população egípcia.
Do ponto de vista de Washington, a substituição de regime não exige mais a instalação de um regime militar autoritário como no auge do imperialismo estado-unidense. Ela pode ser implementado pela cooptação de partidos políticos, incluindo a esquerda, financiamento de grupos da sociedade civil, infiltração no movimento de protesto e manipulação de eleições nacionais.

Em relação ao movimento de protesto no Egipto, o presidente Obama declarou num vídeo de 28 de Janeiro difundido no Youtube: “O governo não deveria recorrer à violência”.

A questão mais fundamental é o que é a fonte daquela violência?

O Egipto é o maior receptor de ajuda militar dos EUA. Os militares egípcios são considerados serem a base de poder do regime Mubarak.

As políticas estado-unidenses impostas ao Egipto e ao mundo árabe durante mais de 20 anos, a par de reformas “mercado livre” e da militarização do Médio Oriente, são a causa raiz da violência de Estado.

A intenção da América é utilizar o movimento de protesto para instalar um novo regime.
O Movimento Popular deveria redireccionar suas energias: Identificar o relacionamento entre a América e “o ditador”. Destronar o fantoche político da América mas não esquecer o alvo do “ditadores reais”.

Desviar o processo de mudança de regime.

Desmantelar as reformas neoliberais.

Encerrar bases militares dos EUA no Egipto e no mundo árabe.

Estabelecer um governo realmente soberano.

* Michel Chossudowsky, amigo e colaborador de odiario.info, é Professor Emérito da Universidade de Ottawa, Canadá.

Este texto foi publicado em www.globalresearch.ca/ e a versão em português em http://resistir.info/.

Cipriotas-turcos pararam território


Dezenas de milhares de cipriotas-turcos manifestaram-se, sexta-feira, contra as medidas antipopulares impostas pela Turquia no território ocupado em 1974. De acordo com a plataforma que convocou a jornada, composta por cerca de 30 sindicatos, mais de 40 mil pessoas participaram na marcha em Nicósia, e a adesão à greve no Norte da ilha foi massiva, paralisando todas as actividades.

Em causa está a imposição da redução dos salários na Administração Pública até 40 por cento e um novo pacote de privatizações, no âmbito do qual as autoridades turcas pretendem alienar as empresas de telecomunicações e de fornecimento de energia eléctrica, e a maior universidade local.

Os participantes denunciaram ainda os aumentos nos preços dos bens essenciais, a vaga de despedimentos e os impostos aplicados, por exemplo, sobre as reformas e pensões.

Muitos dos participantes levaram ainda tarjas contra a ocupação turca, o que provocou a ira do primeiro-ministro delegado por Ancara, Irsen Kucuk, que os acusou de revolta contra a soberania da Turquia.

3 de fevereiro de 2011

Conselho Europeu:ataca os direitos dos trabalhadores


Debate de preparação do Conselho de 4 de Fevereiro
Quarta 2 de Fevereiro de 2011


Em audiência com o Primeiro-ministro para preparação do Conselho Europeu de 4 de Fevereiro, o PCP expressou a sua frontal oposição às medidas que, no âmbito da chamada “Governação Económica” e da revisão do Tratado de Lisboa, estão em discussão nas diferentes instituições europeias. O PCP realçou que as medidas em discussão - além de constituírem mais um sério golpe na soberania nacional e um salto federalista no âmbito do processo de concentração do poder económico e político na União Europeia - contêm sérias ameaças contra os direitos dos trabalhadores e do povo português, sendo previsível uma nova vaga de ataques anti-sociais sustentados nas políticas ditas de “austeridade”.

Em declarações à imprensa à saída da audiência com o Primeiro-ministro, Jerónimo de Sousa - que se fez acompanhar por Ângelo Alves, da Comissão Política e Agostinho Lopes, do Comité Central e Deputado à AR – chamou a atenção para o perigo de novas medidas impostas no quadro da discussão em torno da “flexibilização” do “fundo de estabilização”, nomeadamente cortes ainda maiores nos rendimentos do trabalho, aumento da idade da reforma, maior precarização nas relações laborais, mais desemprego, privatização de serviços públicos e aumento dos impostos sobre os rendimentos do trabalho. Medidas que o Secretário-geral do PCP considerou tão mais inaceitáveis quanto os lucros do grande capital, nomeadamente do capital financeiro, ficam fora da “austeridade” da União Europeia, prevendo-se assim um ainda maior crescimento das desigualdades na União Europeia.

Referindo-se ao tema da Energia constante da Agenda do Conselho, o PCP salientou que, num momento em que a União Europeia discute questões como o Mercado Único da Energia, a realidade demonstra para onde conduziram as políticas de liberalização do mercado energético, tendo transmitido ao Primeiro-ministro a sua profunda inquietação com os preços da energia e dos combustíveis.

Tendo sido informado da previsível abordagem da situação no Egipto, no âmbito da reunião do Conselho Europeu, o PCP lamentou a posição da União Europeia, que objectivamente continua a dar campo de manobra ao regime de Hosni Mubarak, tendo realçado a necessidade de uma posição clara, respeitadora da vontade do povo egípcio e que, no imediato, se deve traduzir pela demissão de Mubarak e pelo apoio às várias exigências do movimento popular.